terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Internalizando a lei

Pois é irmão Eduardo, e quando lemos o motivo da cegueira dos mestres encontramos a razão na TRADIÇÃO. Os mestres deixavam a lei de lado e se tornavam exímios mestres da tradição. Decoravam a lei mas não entendiam o sentido, não tiravam dali as lições que deveriam aprender e colocar em prática. Jogavam todo o fazer o bem para o guardar da tradição. Se a tradição dos judeus fosse boa, estariam fazendo o bem, amando a Deus e ao próximo, mas não era isto que se encontrava. Deviam, irmão, extrair da Bíblia que utilizavam, lições morais, lições de vida, entendimento sobre a vida e o que é o amor na relação do homem com Deus e dos homens com os homens, assim como tiramos quando assistimos algum filme com grande carga emotiva. Mas como Cristo disse, apenas liam a lei, não sentiam nem se transformavam pelo que liam, eram como lápides frias, ou sepulcros caiados, corações de pedra. Nem mesmo os exemplos de Jesus que levaria qualquer um às lágrimas e à contrição era capaz de quebrantar o coração duro daquela classe que se via acima de todos os outros. Como Nicodemos, muitos tinham a sabedoria, mas não tinham o entendimento, não entendiam o sentido, ou espírito da Lei e seus ensinamentos. O coração daqueles homens não se tornaram como o de Salomão e de Davi que lemos nos Salmos e Provérbios. E assim eram cegos, porque liam a letra internalizavam as regras, mas desprezavam todo o sentido de seguir tais mandamentos e tais regras. Não as ligavam a coisas como: amor, gratidão, fidelidade a Deus e ao próximo. Ao fim transformaram a lei em regras como se fosse apenas uma matemática ou uma equação de física, cuja lei você tem apenas que seguir. COLOCAR EM PRÁTICA a lei era muito diferente do que se supunha. Praticar a justiça que Deus tanto ensinou não tinha nada a ver com a procedência dos fariseus da época. Justiça é dar dignidade ao menor, compartilhar com o menor, é perdoar aqueles que nos ofendem assim como Deus nos perdoa. É levantar os mais fracos e assim se colocar, os homens, no mesmo degrau de importância perante Deus. É amar o irmão como a nós mesmos, é cuidar do mais indefeso e ajudar o mais necessitado. Quando Davi, assim como Moisés e Salomão, tinha que julgar uma causa, sempre aplicavam a justiça segundo o que é correto diante de Deus, aliviando a carga e a culpa de cada homem segundo cada caso. E aumentando a pena de outros também segundo cada caso. A Lei, porém, nos coloca TODOS como culpados, condenados e exigindo a pena máxima. Cristo veio como justo juiz, para fazer, no Plano da Salvação, o trabalho que era feito pelos juízes de Israel junto ao Povo de Deus. E Cristo veio em um período antes do julgamento, chamando todos ao arrependimento e às boas obras, porque todos haveremos de comparecer ante o tribunal de Cristo (Romanos 14:10). Julgar e desprezar, antes de dar uma segunda chance ou proteger, ou ajudar, ou amar e cuidar era a condição dos mestres da lei no tempo de Jesus, TOTALMENTE contrários aos exemplos de Deus e a forma como Ele tratou o Seu povo no atravessar dos séculos. Não aprenderam nada com o exemplo de Deus, e não entenderam que a Lei era uma expressão de Sua justiça e de Seu caráter. Assim a lei tem um sentido essencial de amor, mas a viam apenas como regras e fardos, por conta da própria maneira como a interpretavam. Cristo guardou toda a lei, no seu real sentido de amar a Deus e ao Próximo e assim também ensinou aos homens, também Paulo a guardou, tendo conhecido as duas faces, a lei segundo a tradição e depois a lei segundo o exemplo de Cristo. Deus, irmão, nunca dá mandamentos sem dar o exemplo. Cristo veio para dar o perfeito exemplo, de como Deus deseja que guardemos a lei. Assim, aprendemos a agir com a mesma compaixão de Cristo, com a mesma humildade, refletindo o verdadeiro caráter de Deus na lei (Romanos 7:12). Já era tempo de os judeus estarem praticando a humildade, o perdão, a justiça, a compaixão, pela transformação da lei, mas, ao contrário, tornaram-se legalistas, transformando lei em simples letras e regras que em nada promoviam a verdadeira justiça que é olhar com bons olhos aos menos favorecidos. Cobrar mais a quem muito foi dado e cobrar menos a quem menos foi concedido e principalmente, aprender a perdoar antes de cobrar toda ofensa. A tradição colocou uma barreira no desenvolvimento do povo de Israel. Fixando-se no auto-merecimento, não internalizaram as boas características de Deus. Não aplicavam os benefícios da lei ao próximo, antes buscavam cada um o seu próprio benefício na lei. A lei não era um meio de buscar o próprio benefício, mas a justiça, garantindo que as relações civis fossem justas. Não olhavam para os humildes e pescadores, como Cristo olhava. Não olhavam para os seus cobradores e devedores, da mesma forma como Deus olha para nós. Cumprindo a lei, Cristo denotou todas as características que Deus esperava que o homem desenvolvesse. Pela conversão, muitos internalizaram os ensinamentos de Cristo e igualmente tiveram a lei escrita internalizada em seus corações e em suas consciências. Tiveram que nascer de novo, para uma nova vida. E Paulo, irmão, aprendendo com Deus e com Cristo usou de recursos didáticos ao tratar com aqueles que não eram capazes de entender a verdade e a justiça como Paulo entendia. Paulo usou de recomendações quanto ao uso do véu, e o não falar em público, lembrando desde quando a mulher foi colocada submissa ao homem e o motivo. Paulo então coloca a "culpa" digamos assim, em Deus, que deu isto como uma espécie de "castigo" para a mulher, mas ao homem também deu o "castigo" de trabalhar e sustentar a mulher. Cúmplices no crime, cúmplices no castigo, este era o argumento de Paulo. Mas Paulo de maneira alguma foi machista ou rebaixou a mulher, dizendo que, em troca da submissão, o homem teria que dar a vida se fosse preciso, pela mulher (Efésios 5:25). E também respeitar a mulher (Efésios 5:28). Tolerar a mulher (Colossenses 3:19). Em versos isolados, Paulo pode parecer machista, mas no contexto amplo das escrituras, entendendo desde o Gênesis e também as cartas de Paulo, é que entendemos o que REALMENTE Paulo estava ensinando ao seus ouvintes. E Paulo entendeu o exemplo de Cristo, no proceder de todas as coisas (1 Coríntios 16:14). A lei propunha PAZ entre os irmãos! Cristo é o príncipe da paz e o perfeito exemplo dos resultados da lei, porque a Lei proveio do íntimo de Seus conceitos morais. Em corações de carne, a lei serviria para transformar o homem à semelhança de Cristo, PORÉM, o tirar do coração de pedra e o colocar do coração de carnes só pode ser feito unicamente por Cristo mediante a Sua GRAÇA. Este é o papel da graça, dar ao homem aquilo que ele não é capaz de, por si só, obter. Entendemos então que o escrever da lei no coração e na mente só é possível após passarmos pela graça transformadora. A graça de Deus proveio quando demonstrou Seu poder, Sua misericórdia e Sua justiça no tempo em que andou com Seu povo pelo deserto. Já era tempo de os corações estarem preparados. Receberam a lei de Deus, depois de receberem a graça libertadora, por isto Paulo chama a lei de "lei da liberdade". Assim, Deus deu Sua lei ao povo de Israel e não a outras nações, porque O aceitaram, recebendo os benefícios da graça e da salvação, onde a fé em Cristo seria manifesta por meio do sacrifício de animais, que O representavam. Este sentido profundo do guardar a lei, por gratidão, como um dever, por amor a tudo que Deus nos fez e no colaborar de Seu plano transformador, como instrumento de Sua justiça e embaixadores de Sua vontade, foi perdido nos tempos onde a nação foi novamente escravizada, então, por Babilônia. O medo, de semelhante castigo cair novamente sobre o povo, levou ao desenvolvimento de um conjunto de regras e entendimento que impossibilitariam o povo de pecar, mas o alto preço foi o de guardar a lei por outros sentimentos alheios àqueles de um coração que age movido pelo amor. Assim, Cristo não contradisse a lei, mas a forma como entendiam a lei, confirmando cada ponto da lei e dando seu verdadeiro sentido. Cristo uniu lei e fé! Pela fé em Deus guardamos a lei, não é pela guarda da lei que atingimos a fé, mas sim POR MEIO de Cristo! A fé estava sendo colocada no lugar errado: Fé > Graça > Lei Pela fé nos apropriamos da graça e assim somos capacitados a guardar a lei, não é pela lei que alcançamos a fé! A fé é alcançada justamente pelo sentido que a lei nos passa acerca de Deus, sobre seu caráter, amor, sua misericórdia e justiça, o qual manifestamos nosso entendimento também praticando estas coisas. A manifestação destas coisas indicam a aceitação de Deus e transformação segundo o Seu caráter. Sendo feitos em semelhança ao caráter de Cristo, o proceder conforme a lei se torna natural. Este é o sentido profundo das Escrituras que Saulo internalizou, no tempo em que esteve cego e conforme internalizou, quando então se tornou Paulo. Todo aquele que passa por esta transformação, recebe um novo nome. A exemplo de Pedro, o contato com Cristo e o ver de Sua graça, poder, amor e justiça, vieram antes do proceder conforme a vontade de Seu, agora, mestre. Os apóstolos andaram com Cristo e assim, o povo de Israel, também deveria andar com Deus. É neste andar que se aprende o verdadeiro sentido da lei e como guardá-la. É vendo a Cristo que entendemos no que Deus quer nos transformar e na perfeita guarda da lei é que vemos o resultado. E a perfeita guarda não é segundo interpretação da letra, mas entendimento de Seu sentido e colocação em prática, por meio das boas obras. Um abraço.

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