terça-feira, 15 de novembro de 2016

A escola de interpretação da Igreja Adventista do Sétimo Dia

Olá irmã Giselle, esta é uma interpretação preterista e que não é apoiada pelo ensino Bíblico. Devemos usar a própria Bíblia para interpretar as profecias. Eis um comentário que fiz, já a algum tempo, acerca deste assunto: "Quem é o "profeta" que trouxe, de fato, esta certeza de que o chifre pequeno de Daniel e a profanação do santuário dita também em Daniel se referem a Antíoco Epifânio? http://st-takla.org/Bibles/Portuguese-Bible/01-Antigo-Testamento/46-ii-macabeus.html O livro de Macabeus pretende apresentar o cumprimento das profecias de Daniel, mesmo não sendo um livro inspirado. E por que não é inspirado? Dentre outros vários detalhes, este: "Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, entenda;" (Mateus 24:15) Na época de Cristo a abominação da desolação ainda não havia se mostrado! E ainda: "Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição," (2 Tessalonicenses 2:3) Também não havia aparecido na época de Paulo. Vejamos o que mais diz o livro de Macabeus: "II Macabeus 10:5: “E aconteceu que, naquele dia em que o templo tinha sido profanado pelos estrangeiros, nesse mesmo dia foi purificado, no dia vinte e cinco do mês de Casleu”. É por isto que o preterismo não aceita a interpretação adventista acerca da purificação do santuário. Temos dois caminhos: Confiar na cronologia de Daniel, ou confiar na interpretação de cumprimento das profecias de Daniel segundo Macabeus, porque a cronologia de Daniel simplesmente não bate com o tempo de Antíoco! O que os preteristas então fazem? Tentam criar uma interpretação onde os cálculos proféticos de Daniel se ajustem ao tempo de Antíoco. Mas veja, mesmo se adotando a metade do período profético das 2.300 tardes, interpretando-as como 1150 dias, dá um resultado muito longe dos 1.080 dias onde o santuário teria sido profanado, segundo Macabeus." Em suma, o que a irmã disse é uma interpretação da escola preterista que teve força no movimento de contra-reforma da igreja católica. Ocorre porém que dispensacionalistas fazem uso deste livro apócrifo na interpretação das profecias de Daniel, ainda que professem seguir o "sola scriptura". Os adeptos do historicismo, porém, fazem uma interpretação do livro de Daniel por meio do livro de Apocalipse, sendo este o método correto de interpretação das profecias de Daniel, usando o conteúdo do livro canônico do Apocalipse ao invés do conteúdo do livro apócrifo de Macabeus. Até antes da contra-reforma, os cristãos, incluindo Martinho Lutero, utilizavam este método historicista de estudo, interpretando as profecias por meio da própria Bíblia à luz da história. O preterismo, porém, entrou com força para dentro da igreja protestante, trazendo consigo outros ensinamentos patrísticos, como a páscoa semanal, o oitavo dia e o dia da recriação, utilizados para embasar o domingo. De modo que, nos cursos de teologia, há uma parte em que se deixa a bíblia de lado para o estudo dos escritos da patrística e aprofundamento nos ensinamentos destes pais da igreja. Os historicistas, porém, não consideram correto fazer uso de outro recurso que não somente a Bíblia e os acontecimentos da história. Esta era a convicção de cristãos como Isaac Newton (pesquise sobre o historicismo). O dispensacionalismo também prega neste rumo do sola scriptura, porém, infelizmente, abre uma exceção na questão das profecias de Daniel, adotando a interpretação preterista, no lugar da historicista. Outro ponto é que mesmo o dispensacionalismo não dá interpretação completa para todo o livro de Daniel e de Apocalipse, como é feito na escola historicista: https://www.youtube.com/user/BibliaFacil/videos Por ser a escola mais antiga, a escola historicista é a que está mais avançada em seu estudo, embora hoje, em contraste com a totalidade antes da contra-reforma, represente o menor grupo, comparado às duas outras escolas, bem mais recentes. Apenas alguns pontos das profecias permanecem ainda nublados, de modo que já se tem interpretação completa tanto para o livro de Daniel como para o livro de Apocalipse. A irmã consultando escritos de Martinho Lutero, perceberá que este ensinava que o chifre pequeno se cumpria no papado, condenando outras doutrinas como a da imortalidade da alma. De fato, os ensinamentos de Lutero, de base historicista, não são valorizados como outros escritos da patrística, pelo motivo de contradizer muitas crenças católicas ainda presentes nos ensinamentos de igrejas protestantes. Martinho Lutero também repudiava a ideia de um tormento eterno. Então a irmã é capaz de entender de onde a Igreja Adventista do Sétimo Dia herdou este método de interpretação Bíblico-profético. O uso do método de Martinho Lutero, citando inclusive seu nome, foi decisão em reunião do movimento adventista, quando pretendiam fundar a igreja e formalizar suas doutrinas. Esta decisão foi tomada para não correr nenhum risco de assimilar doutrinas tradicionais ou que não puramente bíblicas. Assim, continuamos a utilizar o método historicista, ao invés do preterista ou do dispensacionalista, sendo este o motivo da discrepância entre a interpretação da Igreja Adventista do Sétimo Dia para com outras igrejas que adotam a interpretação preterista ou dispensacionalista. Um abraço.

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