sábado, 22 de outubro de 2016

Resposta ao blog MCA - Acerca da raiz do problema



Olá, irmãos, tornar-se-ia mais fácil se aceitassem um assim diz o senhor. Porém, como se tem dificuldade em aceitar o sola scriptura, é necessário o uso de perguntas e argumentos.

Ex:

"Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas." (Êxodo 20:10)

Infelizmente não tenho um escrito patrístico ordenando a guarda do sétimo dia ao invés do sábado.

Outro ex:

"Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir.
Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido." (Mateus 5:17,18)

Também não encontrei escrito patrístico dizendo de que o sábado não possa ser substituído pelo domingo.

Então não há como argumentar, os irmãos estão certos e os adventistas estão errados. Reconheço que os irmãos encontram apoio na patrística enquanto que nós adventistas não.

Então, realmente o irmão Paulo Cadi está certo, os adventistas não podem representar a reforma, porque seus ensinamentos, hoje, estão fora da patrística e o movimento de reforma é em cima dos ensinamentos da patrística.

Agora, antes de estabelecer a igreja, com seu conjunto de doutrinas, os do movimento adventista, sim, desde meados de 1790 poderiam ser considerados reformadores e pertenciam às mais variadas denominações.

De modo que foi aquela geração de 1790 até  por volta de 1910 que, de fato fizeram a reforma. De modo que os créditos já não caem aos adventistas de berço, após 1910.

Agora há um detalhe:

Os adventistas estão hoje fora da reforma porque os irmãos de outras denominações, incluindo Ellen White, que era metodista, fizeram a reforma doutrinária que era necessária e entregaram tudo pronto.

Assim, devemos creditar a reforma ao movimento adventista e não à Igreja Adventista do Sétimo Dia que é a igreja resultante desta reforma. Agora, se fosse os irmãos, deixaria a patrística de lado e usaria somente a Bíblia, porque grande quantidade do que encontramos ali escrito, não estão em harmonia com a Bíblia.

Devemos lembrar que foi por meio de nossa patrística que a igreja foi se afastando cada vez mais das doutrinas Bíblicas, desde o primeiro século até a época em que iniciou a reforma protestante quando, então, a deturpação iniciada pelos nossos patrísticos resultou na apostasia da igreja na Idade Média. De modo que não foram os adventistas quem deturparam as doutrinas da igreja primitiva, mas sim a patrística, irmãos.

Dois pontos de protesto de Martinho Lutero, o cumprimento das profecias no papado e a heresia da imortalidade da alma, não foram levados adiante na reforma. De modo que optaram pelo preterismo católico, da contra reforma, por meio de um relato muito estranho contido em um livro apócrifo que apontava o cumprimento das profecias em Antíoco, ao invés do papado. E preferiram continuar com a crença na imortalidade da alma, extremamente repudiada por este nosso reformador, o que, então, foi feito pelo movimento adventista mais tarde, depois de várias décadas de estagnação em uma reforma parada.

Já levantei aqui a questão do Santuário Celestial e do sumo-sacerdócio de Cristo, conceitos já aceitos entre as igrejas evangélicas. E, de forma parcial, assim como estes dois itens, outros ensinamentos, hoje, já estão sendo mais aceitos, como a identidade de Miguel como sendo Cristo em Sua plena divindade. Azazel como se referindo a satanás. Até mesmo a imortalidade da alma está sendo rejeitada por alguns teólogos, comentaristas bíblicos e estudiosos das mais diversas denominações. A ressurreição de Moisés é outro item que também está sendo aceito.

Então, há esta situação que gostaria que o irmão Luciano Sena nos explicasse. Por que comentaristas bíblicos, teólogos e estudiosos de alto gabarito como Matthew Henri e Oscar Cullmann, têm chegado hoje às mesmas conclusões dos adventistas.

Ssendo que a crença dos adventistas não teria base e que não teriam feito nenhum movimento, de fato, de reforma? Tem também as questões científicas em torno da saúde, educação, alimentação, finanças, que demonstram que nossos fundadores estavam mais de 150 anos à frente de sua época, ou seja, fizeram em uma geração aquilo que as igrejas ditas, reformadas, agora é que estão começando a desenvolver e a entender.

E veja, por base irmão (* vem a parte que o irmão não gosta), sua reforma calvinista está parada! O movimento evangélico está parado, senão no investimento em shows, cair no espírito e novas modalidades de unção. E digo isto reconhecendo que teólogos, comentaristas e estudiosos, estão estudando a Bíblia tanto quanto a IASD e desenvolvendo seu conjunto de doutrinas. Porém, estes, são daquele grupo que mencionei, Oscar Cullmann, Mattew Henry e que estão chegando às mesmas conclusões da IASD. Interessante não!?

O que estes estudiosos tem de comum é que não se fiam cegamente na patrística, levando a sério o "sola scriptura" e, veja este detalhe, o "tota scriptura".

Oscar Cullman, considerado a maior autoridade em novo testamento de nosso tempo, fiou-se no simples "assim diz o senhor" e não teve dificuldade em abandonar a crença na imortalidade da alma.

(* um pouco mais desta parte de meus comentários que o irmão não gosta)

O irmão cita e justifica as atitudes de Walter Martin, mas não cita nem tenta justificar a mudança de opinião de Oscar Cullmann e Mathew Henry. Estou citando estes dois, mas sabemos que a lista é deveras longa. E vejo estes assuntos como um tabu aqui no blog MCA. Porém, é algo que, se os irmãos não resolverem, poderão dar tchau à confiabilidade destas doutrinas. Porque não tenho visto obra alguma tentando refutar estes estudiosos.

A apologética brasileira, hoje, não usa a ocasião de contradizer tais estudiosos, no que, no seu lugar, usam a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Sendo então uma maneira de tentar refutar as conclusões destes estudiosos, por meio da imagem da IASD.

Esta é minha tese, irmão.

A igreja nos orienta a usar a Bíblia apenas, para contradizer doutrinas, mas seria bastante cômodo se pudéssemos usar tais teólogos e estudiosos. Vou dar um exemplo: diria, ao irmão Luciano Sena, enquanto apresento escritos de Oscar Cullmann,:

- Refute isto aqui.

A IASD, então, poderia se escorar em tais estudiosos, na patrística, ou até mesmo apelar para EGW. Porém a ética da IASD não permite tal procedimento e isto é um princípio de nossa fundação, de usar a Bíblia. Agora os irmãos verão que, ao contrário da IASD, os irmãos sim, usam mais patrística, calvino, confissões de fé, teólogos, dentre outros, no convencimento de suas crenças. Os adventistas por sua vez usam só a Bíblia, irmão.

Então, se isto é estar apartado da tradição cristã, então estamos realmente, irmão Luciano. O que temos em nossa defesa é o fato de usarmos somente a Bíblia!

Os irmãos (aqueles desavisados como o irmão sugere) então poderiam dizer: - Olha, os adventistas são uma igreja genuína, pois, eles só não têm estas nossas doutrinas tradicionais porque não entenderam ainda as doutrinas Bíblicas como entenderam nossos pais e, no futuro, acabarão se convencendo acerca das doutrinas verdadeiras.

Esta é, por exemplo, pelo que pude perceber, a opinião de nosso irmão Fernando Galli, que considera a IASD hoje como uma igreja cristã contendo o que ele define como "graves erros doutrinários".

Porém, a campanha da apologética crítica brasileira é dizer que não, que eles, os adventistas, fazem isto porque dão ouvidos aos livros de Ellen White.

E percebo que o argumento oculto por entre a crítica está no fato de acreditarem de que a IASD faz com os escritos de EGW a mesma coisa que os demais irmãos tradicionalmente fazem com os escritos da patrística.

Se a IASD desconsiderasse o dom profético de EGW e visse seus escritos como não sendo produto de inspiração, menos mal seria, para certa parte dos críticos, em considerar a IASD como uma igreja cristã com problemas doutrinários.

Assim, exige-se, pelo menos, a negação do dom profético de Ellen White e da inspiração de seus livros. O que deixa então evidente o problema, que é a questão dos ensinamentos de Ellen White contradizerem ensinamentos tradicionais. Agora, esta é a defesa que faço em minha tese:

Assim como Cristo combateu o problema da tradição, que estava a deturpar os ensinamentos Bíblicos, o dom de profecia foi dado à EGW a fim de realizar este mesmo trabalho, por isto é dito que o testemunho de Jesus é o Espírito de Profecia, ou Espírito da Profecia como defendem alguns.

E não há como refutar esta tese, irmão Luciano Sena.

Farei então uma "brincadeira" com o irmão, por meio da afirmação de que os adventistas usam os escritos de EGW tanto quanto os irmãos usam da patrística. Tanto adventistas quanto não adventistas esbugalhariam os olhos dizendo, nós não! Mas repito, é apenas uma "brincadeira". É só para preparar o entendimento para o que haverei de dizer agora:

Caso fosse assim, e não estou dizendo que seja, os adventistas teriam melhores razões, por considerarem EGW como um profeta, inspirado, pois, assumindo que um profeta fala da parte de Deus, um porta-voz de Deus, não haveria problema algum em seguir suas orientações e ensinamentos, pelo contrário, deveria.

Por outro lado, os que se firmam na tradição não teriam motivo algum para proceder assim, pelo contrário. Pelos exemplos de Cristo, a tradição tem este problema de em dado momento competir com os mandamentos de Deus, acabando por deturpá-lo, que é a explicação para o que ocorreu com a igreja, desde o primeiro século até a definitiva apostasia na era medieval.

Ocorre, porém, que enquanto permanece a dúvida e digo isto por parte dos não adventistas, evitamos aquilo que poderíamos chamar de um "cheque-mate".

Bem sabemos que bastaria Deus mandar um verdadeiro profeta, para por fim às divergências doutrinárias entre tantas igrejas. De modo que a IASD hoje, representa uma possibilidade de isto ter ocorrido.

Agora, resta contradizer os ensinos desta profetiza, no que a chave fundamental seria a Bíblia Sagrada. E digo seria, porque se usarmos os ensinamentos da igreja adventista, os livros de Ellen White se tornam imunes à ataques. Estranho fato que também ocorre quando usamos a Bíblia neste mesmo intuito, de validar os ensinamentos de EGW pois, ali, independente do que diz a religião adventista, segundo os versos que ela mesma (EGW) invoca em seus escritos, há razões para se crer no que ela está dizendo.

Mas há um trunfo, irmão, que é a tradição da igreja cristã, onde, confiando os irmãos na tradição da igreja, encontra-se, então, o meio necessário para se contradizer as afirmações e ensinamentos de EGW e da IASD pois, ali, nos ensinos tradicionais, se evidencia a clara contradição.

Nisto surge um problema, que consiste no fato de as doutrinas em contradição não servirem de fator para desconsiderar a IASD como sendo uma igreja cristã. De fato, a IASD reconhece as divergências doutrinárias quando comparada suas doutrinas com os ensinos tradicionais, em questões como, por exemplo, o sábado e a imortalidade condicional da alma. (deixaremos a questão do juízo investigativo para outra oportunidade).

Até aí tudo bem mas, à partir deste ponto, trataremos da apologética crítica que existe hoje, especialmente aqui no Brasil.

Há uma tentativa de deturpar, hoje, estas crenças menos conhecidas, partilhada tanto por adventistas quanto teólogos e estudiosos de outras igrejas, como por exemplo, acerca do nome Miguel, da ressurreição de Moisés e do bode emissário. Existem outras, mas, vamos ficar com estas aqui a título de exemplificação.

Em cima destes ensinamentos, pouco conhecidos e quase nunca são ensinados fora do meio teológico, são construídas distorções e análises tendenciosas que, perniciosamente, atentam contra a integridade daquilo que seria, de fato, os reais ensinamentos da IASD. Nisto surgem ministérios apologéticos como o CACP, bem como até mesmo teólogos e estudiosos sérios, usando deste arranjo para defender a causa de que a IASD seria uma seita herética.

De modo que, segundo estes, os ensinamentos ortodoxos adventistas estariam seriamente comprometidos, por supostamente conterem detalhes que atentem contra crenças essenciais do cristianismo, ainda que estas mesmas crenças essenciais também estejam contidas no conjunto de crenças oficiais da própria IASD.

Ocorre que se percebe que estes detalhes evidenciados pelos ditos ministérios, teólogos e estudiosos, e que publicam inclusive livros acerca disto, estão em desconformidade com o que é, de fato, ensinado pela IASD, como podemos ver quando analisamos as fontes primárias que são inclusive, mesmo que descontextualizadamente, citadas na abordagem destes ministérios, teólogos e estudiosos.

Ocorre porém que, quando analisamos as fontes, provindas da própria IASD, percebemos que as afirmações, contidas nestas fontes primárias, estão em perfeita harmonia com oque encontramos escritos nas obras de estudiosos como Oscar Cullman e Matthew Henry, os quais nossos críticos já tiveram oportunidade de ler, não os considerando porém como sectários e hereges da forma como fazem com a IASD.

E a única diferença é que nossos críticos não deturpam as afirmações destes estudiosos, conhecidíssimos, abalizados e indubitavelmente reconhecidos. Assim, o problema da apologética brasileira, em relação ao adventismo, está na forma diferenciada com que tratam estes mesmos assuntos, em relação ao adventismo.

E uma questão fica sem resposta sobre o porque de, havendo fontes extra-adventistas ensinando direitinho estas mesmas doutrinas cridas pelo adventismo, os mesmos críticos apresentarem um entendimento bastante diferente e deturpado acerca destas mesmas crenças, quando as tais são abordadas por adventistas.

Há duas possibilidades principais que poderiam responder esta questão, sendo elas, ignorância, ou falta de conhecimento mesmo tanto dos materiais adventistas como dos próprios estudiosos das mais diversas profissões de fé, ou se tratariam de indivíduos mal intencionados.

O tratamento destas duas possibilidades, porém, não é parte deste material, no que, possivelmente, estarão muito bem abordadas na teste de mestrado que o Prof. Leandro Quadros concluiu recentemente. De modo que firmo confiança de que este problema se resolveria tão somente se os interessados, em conhecer sobre o adventismo, estudassem acerca de suas doutrinas em fontes primárias, ou em fontes imparciais (que nem se preocupam em falar de adventismo) e que tratam destes mesmos assuntos, como as obras de Matthew Henry e Oscar Cullmann.

O que percebemos, então, é que os ataques feitos à IASD, no sentido de garantir que supostamente seria uma seita, herética, se dá, majoritariamente, por motivo de profunda falta de leitura nas fontes primárias. No que podemos resolver facilmente fazendo aquilo que é feito em todo o resto do mundo, que é consultar as fontes originais que ensinaram acerca de cada doutrina ao invés de se contentar tão somente com fontes de terceiros.

Não creio, porém, que caiba o caso de o problema ser derivado de uma deficiência de entendimento, na leitura, segundo o chamado "analfabetismo funcional", o que seria a explicação mais razoável a se adotar neste caso. O que, porém, não se confirma, devido ao fato de a grande parte dos críticos e que escrevem inclusive livros tratando do adventismo, demonstrarem não serem acometidos deste mal.

Sobra, então, a questão da falta de consulta em fontes primárias adventistas, bem como em outras fontes, imparciais, que tratam do mesmo assunto e que são produzidas por escritores das mais variadas profissões de fé. De modo que devemos então crer de que o problema seja ocasionado por motivo de uma corriqueira falta de consulta à fontes primárias pois, caso contrário, teríamos de adotar que, na maioria dos casos, se trataria de má fé mesmo.

Que Deus te abençoe, irmão Luciano.

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