sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O dízimo na época apostólica

"E, por assim dizer, por meio de Abraão, até Levi, que recebe dízimos, pagou dízimos." Hebreus 7:9

Este verso coloca o dízimo pago desde Abraão até os levitas (da casa de Levi) no mesmo "saco" digamos assim. Isto se confirma quando lemos também o verso 11, que cita o sacerdócio levita.

Tendo estes versos em mente, vamos para a carta endereçada aos de Corinto onde Paulo usa o exemplo do sacerdócio levita para dizer de que os que pregam o evangelho devem viver do evangelho:

"Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar, participam do altar? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho." (1 Coríntios 9:13,14)

Temos também este conselho de Cristo:

"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vocês devem praticar estas coisas, sem omitir aquelas." Mateus 23:23

Ao recomendar a prática da justiça, da misericórdia e da fidelidade, aos mestres da lei e fariseus, Jesus alerta que isto deveria ser feito sem omitir aqueles dízimos antes mencionados.

Assim, Paulo Liga o dízimo desde Abraão até a pregação do evangelho no tempo apostólico.

Usando o exemplo de Melquisedeque, Paulo ensina que Cristo assumiu as tarefas de sacerdote e sumo-sacerdote, no que Cristo delegou à igreja a tarefa de pregação do evangelho. O dízimo, sempre foi para a pregação do evangelho. Eis um artigo contendo uma explicação acerca da função e importância do dízimo:

http://novamenteadventistas.blogspot.com.br/2015/02/a-funcao-do-dizimo.html

O cerimonialismo era uma ferramenta de pregação do evangelho. A pregação do evangelho, porém, não pode ser considerada algo cerimonial, tampouco o dízimo usado para tal fim.

Assim, usamos o dízimo para pregar o evangelho ensinado desde sempre ao Povo de Deus porém, agora, em seu cumprimento, anunciando que Cristo morreu na cruz e que, como nosso sumo-sacerdote, hoje, aplica ele próprio os benefícios da salvação na vida de todo aquele que o aceita como Senhor e Salvador.

E se antes o dízimo era importante para a pregação do evangelho por meio de sombras e representações, quanto mais importante é hoje, na pregação de sua realidade em Cristo.

O que os irmãos dados ao dispensacionalismo tem que entender é de que o termo "cumprir" do grego "plerô" significa "alcançar a sua realidade", "alcançar o seu verdadeiro significado", "dar o verdadeiro sentido", "completar", "encher". Como o exemplo do santuário terrestre, que alcançou sua realidade no santuário celestial, do sacerdócio terrestre, que alcançou sua realidade no sacerdócio de Cristo. Outro exemplo é a morte do cordeiro, que alcançou a sua realidade em Cristo morto na cruz. De modo que tudo que estava predito na Lei, haveria de alcançar a sua realidade em Cristo. Para revogar?

A resposta é não! E esta é a maior dificuldade de entendimento de nossos irmãos dados à abolição de toda a lei.

O cerimonialismo foi abolido dentre o Povo de Deus porque sua função foi transferida para Cristo, não estando mais o homem encarregado de representar esta tarefa que Cristo faria, pois, Cristo já as está realizando. Do mesmo modo que não há mais sentido em sacrificar cordeirinhos para ensinar de que Cristo viria morrer na cruz, sendo que Cristo já veio e já morreu na cruz.

Agora veja, se tomarmos o dízimo como cerimonial, teremos, obrigatoriamente, que adotar de que o seu cumprimento é na pregação do evangelho hoje. Porque a mesma coisa que pregavam antigamente, por meio de sombras representativas, é o que pregamos hoje no seu cumprimento em Cristo, que é este evangelho que temos em mãos.

Veja o sentido de "cumprir" do verso de Mateus 5:17:

https://www.bibliaonline.com.br/acf/busca?f=testament%3A2&q=cumprindo

Leia também Lucas 24:27. Neste evento, Cristo explica tudo o que havia sido escrito sobre Ele nas Antigas Escrituras.

Quanto ao dízimo, o que percebemos é que a tarefa de pregação do evangelho a todos os povos, línguas e nações, ainda não se cumpriu, o que nos mostra que o dízimo ainda é necessário, por ser o único meio autorizado por Deus de arrecadação de fundos para este fim.

Notemos que Cristo disse:

"Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir.
Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido." (Mateus 5:17,18)

Estes versos se referem ao aspecto de "alcançar o verdadeiro significado", mas e quanto às leis morais? Verso seguinte:

"Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus." Mateus 5:19

A palavra "cumprir" neste verso, agora sim, refere-se ao aspecto de obediência, inclusive das leis morais e notamos que não há nada de revogação, muito pelo contrário!

De igual modo, a palavra "cumprir" dos versos 17 e 18 não dá a ideia de revogação. Veja que as coisas se cumpriram justamente para que pudéssemos pregar a sua realidade em Cristo, falando do Seu sacrifício, de sua intercessão como sacerdote, de seu papel de justo juiz como Sumo-sacerdote e também de mediador e advogado.

E assim, a suma é que pregamos as mesmas coisas, porém hoje, no seu real significado.

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