domingo, 5 de junho de 2016

Resposta ao irmão Lucio Antônio de Oliveira

O maior problema de boa parte de nossos críticos é o chamado analfabetismo funcional que é ler e não entender o que está escrito.

Creio que não seja o caso do irmão Lúcio, então direi claramente:

Em seus livros, Ellen White revelou que logo surgiria um movimento reivindicando de que os mandamentos de Deus foram abolidos e que a salvação no antigo testamento era pela lei e que no novo testamento foi substituído pela graça.

Obviamente Ellen White não estava falando dos protestantes, quer Luteranos, quer Calvinistas, mas avisou de que a nação protestante faria vistas grossas e não apenas permitiriam mas, pela omissão, apoiariam a existência destas ideias em seu seio.

Ao mesmo tempo, tomariam posição ao lado destes e combateriam aqueles que haveriam de pregar a irrevogabilidade, imutabilidade e plena vigência da lei.

Este impasse é causado por duas crenças principais e a primeira é o domingo.

Dominguistas não tem muita razão de criticar os que reivindicam a abolição da lei, uma vez que inauguraram esta ideia com a aceitação do domingo, bem como deram base para a forma como os que reivindicam a abolição da lei interpretam as escrituras a exemplo do que ocorre com as leis dietéticas de levítico.

Estudos de Samuele Bacchiocchi apontam que o domingo é realmente de origem pagã, de culto ao Deus sol, muito antes de a igreja universal apostólica se unir ao estado de Roma dando origem ao Catolicismo Apotólico Romano.

E alguns cristãos já defendiam o domingo como um memorial de Cristo como Redentor.

O primeiro estado do domingo era como uma homenagem a Cristo e Sua ressurreição dentro do cristianismo, ao passo que era um dia já utilizado no seio pagão em homenagem e culto ao deus sol.

O segundo estado era de um domingo em pé de igualdado com o sábado em vista de uma separação pretendida, pelos cristãos, dos judeus por conta de um sentimento anti-judaico que permeou dentro da igreja.

O terceiro estado era a guarda deste domingo como normativa do estado, em homenagem ao deus sol, segundo decreto de constantino. Neste estado de coisas os cristãos decidiram guardar também o domingo, em homenagem à ressurreição de Cristo e promoveu um proselitismo religioso aplicando a idéia de adoração a Cristo como sol da justiça ao povo pagão, que faziam seus cultos no domingo em homenagem ao deus sol.

Até aí não havia problema algum, o problema veio depois disto por obra da Igreja Católica Apostólica, agora então, tornou-se também Romana.

O quarto estado ocorreu quando as solenidades do sábado forma definitivamente e oficialmente transferidas para o domingo e o domingo então passou a ocupar o lugar do sábado.

E não por autoridade das Escrituras mas a própria igreja assim definiu que o domingo deveria ser o novo dia de guarda.

Neste tempo ocorreu definitivamente a mudança e o sábado, o mandamento plenamente vigente, foi deixado de lado, dando lugar a um domingo, cuja guarda não é ordenada nas Escrituras.

O exemplo, ainda que partindo da cristandade, não tem valor de mudança, especialmente quando contradiz claramente um mandamento que diz para descansar no sétimo dia e não no primeiro dia. Esta é uma clara demonstração de desobediência à lei de Deus.

A guarda de um domingo em homenagem a Cristo, não é errado. Errado é a revogação do mandamento divinamente instituído e a colocação de um dia de homenagens no lugar do mandamento.

O domingo se tornou a identidade da igreja cristã, quando antes o sábado era o sinal de identidade do povo de Deus.

Vemos aí dois dias que sinalizam a identidade do povo de Deus em disputa, onde um é o verdadeiro, divinamente instituído e criado por Deus e o outro é o falso, instituído por autoridade humana, surgido à partir de algo que parecia uma boa ideia mas, ao final, veio para substituir o mandamento de Deus.

"E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei..." (Daniel 7:25)

Esta é Roma, que influenciou na mudança do mandamento de Deus e que perseguia a cristandade até que que fizeram aliança e passaram a ser um único corpo em uma igreja Católica Apostólica e agora também Romana.

O domingo é fruto da tradição e a tradição não tem importância maior do que o doutrinariamento Bíblico, de forma que sendo que consta na Bíblia a observância do sábado, devemos manter este princípio.

A influência da imortalidade da alma, também já existia no meio cristão, como existe hoje em praticamente toda religião que existe no mundo. Não é algo que proveio das Escrituras ou ensinamento dos Profetas de Deus.

A crença na imortalidade da alma, por parte de cristãos em qualquer era da história, não serve de ratificação deste ensinamento. A norma de fé e crença do cristão é a Bíblia e unicamente ela, de forma que mesmo que o mundo creia neste ensinamento, como de fato crê hoje, não serve como norma de fé, uma vez que não é ensinamento das escrituras.

Até a romanização da igreja, não haviam doutrinas enraizadas nestes ensinamentos. Foi com a instituição da existência de um purgatório e um lugar de sofrimento para os ímpios em contraste com um lugar de recompensa para os justos, já existentes, que deram força para este ensinamento dentro da igreja cristã.

Martinho Lutero era veementemente contra esta ideia pregada pela igreja romana, assim como era contra a prática de indulgência aos mortos.

O ensinamento da ressurreição foi nublado pelos ensinamentos imortalistas da alma, especialmente seu estado intermediário.

O próprio silêncio das escrituras acerca de um estado intermediário já deveria nos servir de base para não especular sobre um ensinamento deste tipo dentro da igreja cristã.

A imortalidade da alma e a consulta a mortos sempre estiveram presente no mundo, e sua presença era tão ampla quanto a crença em várias divindades e a idolatria. Porém, dentro do meio cristão, e podemos dizer o povo de Deus, para nos referir desde a origem no gênesis, a crença majoritária entre o povo de Deus era na morte inconsciente, como um sono.

Percebemos isto claramente nos livros do Antigo Testamento, nas palavras dos profetas hebraicos e também nos profetas do novo testamento, especialmente Jesus e Paulo, que compararam a morte a um sono. Toda manifestação aparentemente imortalista da alma eram comparados à aparições, fantasmas e práticas de necromancia segundo relatos bíblicos e não assumiam tom de doutrina e ensinamento sobre o estado dos mortos, embora fossem utilizados como pano de fundo, aí sim, para trazer ensinamentos morais. Como o de que devemos consultar à Deus (Isaías 8:19), devemos dar ouvidos ao escritos de Moisés (Lucas 16:29-31) e que a ressurreição é em carne e osso (João 20:27).

De semelhante modo Deus passou ensinamento acerca da posição dos gentios em relação à salvação.

Cristãos hoje, porém, têm tomado cultura e tradição como doutrina, em lugar das próprias doutrinas explícitas, que prontamente contradizem culturas e tradições a exemplo do que fazem com Atos 10:13.

Este tipo de pensamento no meio cristão deu origem ao dispensacionalismo pregado hoje amplamente dentro das igrejas, ensinando que Deus muda não apenas a forma como lida com o povo através dos séculos, mas também a sua lei, adicionando, revogando ou mudando princípios previamente estabelecidos, e repito, princípios.

E cristãos protestantes tratam princípios da mesma forma como tratam de questões culturais, e no dispensacionalismo vão mais além, convertendo questões culturais, como o de a mulher não poder falar em público, em princípios de ordem moral.

O sábado, que é um princípio de ordem moral, é então tratado como um costume cultural "dos israelitas". Questões culturais como vultos, aparições, parábolas em cima de histórias populares, estes são transformados em doutrinas.

Exemplificações didáticas são tomadas como ensinamentos "de que devemos voltar a comer carnes impróprias para o ser humano" ao passo que ensinamentos são tratados como exemplificação de uma forma antiga como Deus tratava o Seu povo.

E então ensinam de que no antigo testamento a salvação era pelas obras, mas hoje é pela graça.

E este estado de confusão religiosa perdurou até o desapontamento de 1844, quando então surgiu uma igreja a protestar contra estas coisas.

A reforma não foi completa! Aquele sentimento pelo qual mártires deram sua vida em prol do resgate da verdade foi deixado de lado. A cristandade se reacostumou a viver tendo dentro de si doutrinas que são contrárias à Palavra de Deus.

E criou-se uma confusão na forma de interpretar a Bíblia, aumentando em dezenas de milhares as religiões ditas cristãs atualmente, número que não deve parar, por uma questão de divergência sobre o que está sendo ensinado.

E todas estas novas igrejas tem algo em comum, que é deixar porções da Bíblia de lado, tanto na prática quando no ensino.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia é hoje a única igreja que prega a plena validade e vigência tanto do Antigo como Novo testamento.

É a única que ensina acerca do santuário que está contido na Bíblia que cada um dos irmãos levam para a igreja, onde fala de um povo que se reunia para adorar a Deus em um santuário onde se oferecia sacrifícios contínuos e que representavam o sacrifício e eterna redenção feita por Cristo.

E também de um dia de Juízo, chamado de o dia da expiação e de um sábado que jamais é ensinado dentro das igrejas, inclusive protestantes.

A maior parte dos cristãos, aqueles que creem na imortalidade da alma, jamais ouviram falar sobre um Santuário, o porque de sua existência e o que ele significava e exemplificava.

Boa parte jamais ouviu sobre as profecias de Daniel, contam apenas a parte onde Daniel e seus irmãos em Cristo (que apareceu para os três jovens na fornalha) resistem à dura prova que lhe foram imposta.

E jamais cogitam a possibilidade de ensinar de que tudo aquilo que ocorreu com Daniel e seus irmãos voltará a ocorrer no período de grande tribulação e pelos mesmos motivos:

Uma imagem imposta para que os cristãos adorem, seguido de uma pena de morte para quem insistir em não se prostrar e por fim uma terrível perseguição pela qual os salvos passarão, na companhia de Cristo.

São estas coisas que a Igreja Adventista do Sétimo Dia ensina, em um movimento de estudo das profecias e dos livros do antigo testamento que vem desde 1790.

Assim, a IASD é taxada de seita pelo saber que ela leva à todos os cristãos, acerca de verdades esquecias, de profecias e doutrinas que não estão sendo ensinadas.

Este saber leva os cristãos a repensarem suas doutrinas, suas crenças e a ter uma clara linha de divisão entre doutrinas e costumes e tradições.

Levam também estes cristãos a se interessarem mais pela bíblia e a estudarem a fundo.

E ocorre que alguns decidem voltar às doutrinas bíblicas, abdicando dos ensinamentos que são tradicionalmente passados e que contrariam o que encontramos escritos na Palavra de Deus, especialmente no Antigo Testamento.

De modo que, se as doutrinas adventistas estão incorretas, sua pregação universal serve de base contra si mesma. Porque, lendo a bíblia, ninguém tirará coisa alguma dali senão os verdadeiros e corretos ensinamentos de Deus.

Como disse Ellen White, ninguém perde pela investigação minuciosa da Bíblia e suas doutrinas.

E se os cristãos ao se aprofundarem no estudo Bíblico deixam de lado o domingo e a imortalidade da alma, isto apenas prova de que a IASD está certa em suas doutrinas.

Se as igrejas hoje tivessem certeza, de fato, sobre suas doutrinas, estariam investindo boa parte do tempo a incentivar o estudo da Bíblia e toda a Bíblia, inclusive aquelas partes que não são hoje praticadas dentro da igreja cristã.

O fato de passarem por cima destes ensinos já demonstra que há algo de muito errado dentro das igreja hoje e não haveria como ser diferente uma vez que cada igreja prega algo diferente, ao contrário da época apostólica pura da igreja onde havia um mesmo ensino e uma mesma prática de fé.

Assim, quando alguém taxa um irmão de sectário, por estudar e ensinar coisas que não são ensinadas dentro das igrejas, está tratando de sectário a todo aquele que procura estudar a palavra de Deus e praticar tudo aquilo que é ensinado, deixando de lado aquilo que é ensinado nas várias igrejas e que em muito atentam contra os ensinamentos bíblicos.

E o problema é quando estes ensinamentos começam a serem penetrados nas clássicas doutrinas ortodoxas, ensinamentos estes como os da imortalidade da alma que deste muito tempo tem molestado a doutrina da Trindade, tentando agregar ali conceitos sobre a substancialidade de Deus.

De forma que não apenas o caráter de Deus, apresentando-o como um tirano, mas a própria composição de Deus tem sofrido tentativas de corrupção.

E de um lado atacam a plena divindade de Cristo e pessoalidade do Espírito Santo e do outro, a plena validade da Lei de Deus.

Todas estas atitudes denotam um mesmo intento, de origem diabólica, que é desfigurar a imagem de Deus perante os homens e assim atrapalhar a pregação do evangelho.

Não existe evangelho sem lei, não é apenas a graça. Toda controvérsia surgiu porque o que foi e continua sendo violado e que coloca o homem em pecado é a transgressão à lei de Deus.

Um Deus santo de caráter perfeito e imutável.

A Lei é um reflexo do caráter de Deus, porém hoje ela é apresentada de forma imperfeita e variada, onde não se admite a possibilidade de seguir a Bíblia e toda a Bíblia, de ensinar toda ela e praticá-la.

Quem assim o faz aceitando tudo que está escrito é prontamente taxado de anti-ortodoxo e sectário ainda que conste dentro de suas crenças todas as doutrinas ortodoxamente definidas.

Pois quando há ali algo que conste contra suas próprias crenças, o que o crítico faz é tentar atacar, não a doutrina, mas as pessoas que a ensinam.

E quando não é possível se fazer isto por meio de suas condutas como cristãos, como é o caso de Ellen White e nossos fundadores, tentam atacar sua história, mas quando a história é devidamente registrada, como exemplarmente é na Igreja Adventista do Sétimo Dia, que possui um acervo de centenas de milhares de escritos e registros, contendo toda a verdade sobre o movimento, tentam então atacar distorcendo suas doutrinas.

É o caso do CACP e do blog MCA, que hoje adotou uma postura semelhante ao do nitroglicerinapura, optando por prosseguir, então, pelo último estágio, que é o da zombaria.

Portanto, irmão Lúcio, procure conhecer melhor nossa história, nossas doutrinas e especialmente os escritos de Ellen White, diretamente, lendo os livros e as fontes. Adquira o livro intitulado "Do Sábado para o Domingo" e entenderá o que realmente cremos e conhecemos sobre todo o desenvolvimento da doutrina do domingo. Leia também o livro intitulado "Imortalidade da Alma ou Ressurreição dos Mortos" de Oscar Cullman, então entenderá por que os adventista decidiram há muito tempo atrás abandonar a crença na imortalidade e no domingo.

Leia também o "Questões Sobre Doutrina" e o "Nisto Cremos" publicado pela CPB (Casa Publicadora Brasileira)

Endereço: www.cpb.com.br.

Com isto o irmão conhecerá a fundo os adventistas e os motivos por, embora crerem nas doutrinas ortodoxas e ensiná-las e valorizá-las, não crerem em certos ensinamentos comuns no meio cristão.

Doutrinas heterodoxas, porém, o irmão encontra em várias igrejas, porém, mais vale a pena ensinar doutrinas bíblicas, amplamente ensinadas de forma didática ao povo de Israel, como a do santuário, do que ensinar doutrinas como línguas estranhas, cair no espírito e teologias da prosperidades, que não encontram base bíblica.

Preferimos, ainda, ficar com o sono da morte, ensinada por Jesus e o estado da morte inconsciente como ensinado pelos profetas bíblicos, do que ficar com o estado intermediário, ainda hoje crido no meio cristão. E exaltar a ressurreição dos mortos como solução única e definitiva para o problema da morte, bem como o fruto da árvore da vida como fonte da imortalidade para o ser humano que permanece na obediência a Deus, sabendo que Deus é o único que possui em si a imortalidade inerente.

Incluimos e fazendo uso dos exemplos bíblicos como o dos Ribeiros de Edom e das próprias cidades de Sodoma e Gomorra, bem como os exemplos dado por Jesus e acerca do  Geena ou Vale de Hinom usados para exemplificar o resultado final daqueles que praticaram o mal e não se arrependeram.

Porfim, cremos na ênfase sobre o ensino da volta de Jesus, como sendo a mensagem presente para o tempo do fim e a solução para todos os males deste mundo, esta é a característica primordial de todo adventista enquanto trabalhamos para aliviar o sofrimento de nossos irmãos até este dia. Por isto a ênfase nos trabalhos missionários, de pregação e no ensino de uma vida com maior qualidade, baseada nos ensinamentos bíblicos.

Cremos que não apenas o "sola scriptura" mas o "tota scriptura" também deve fazer parte da vida de todo cristão.

Um comentário:

  1. Respondido no blog do Luciano Sena, onde a discussão começou. :)
    Obrigado pela deferência! ^^

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