quarta-feira, 27 de abril de 2016

O trabalho lícito no dia de sábado


Olá irmão, é sempre gratificante receber perguntas sinceras como a do irmão. Toda obra é lícita no sábado, exceto aquelas que se tratam do trabalho comum que realizamos nos demais dias da semana para nosso sustento. O sábado foi instituído antes do pecado e naquele tempo não existiam doença, miséria e nem necessitados. O trabalho que era deixado à parte eram aqueles realizados por Adão e Eva na manutenção do jardim que Deus lhes deixou. Deus porém não proíbe, em Sua Palavra, a realização de boas obras em favor daqueles que necessitam, por conta da entrada do pecado neste mundo.

Disse Cristo, acerca deste tipo de trabalho no sábado:

"E aquele homem foi, e anunciou aos judeus que Jesus era o que o curara. E por esta causa os judeus perseguiram a Jesus, e procuravam matá-lo, porque fazia estas coisas no sábado.
E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também." (João 5:17)

Trabalho que tradicionalmente os judeus também faziam, porém apenas em prol de seus animais:

"E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que tendo uma ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela, e a levantará?" (Mateus 12:11)

Disse também acerca daqueles que trabalham neste dia em prol do evangelho:

"Ou não tendes lido na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa?" (Mateus 12:5)

O tipo de trabalho proibido era o laboral, de mantimento diário. Deus ensinou que este tipo de trabalho deveria ser realizado nos seis primeiros dias da semana, deixando-se o sábado, como um dia especial.

"Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra." (Êxodo 20:9)

Algumas práticas proibidas eram praticar a colheita, praticar o carregamento e praticar o comércio.

A prática da colheita consistia em percorrer longa extensão de terra recolhendo e guardando o alimento como fazemos hoje no meio agrícola. Igualmente a prática de carregamento consistia em mover estes alimentos de um lugar a outro. E a prática do comércio era a venda ao público destes alimentos.

Este era o tipo de trabalho que Deus ordenou que cessasse no dia de sábado.

Através da experiência com o maná no deserto, Deus ensinou que, quanto à manutenção diária e às nossas próprias necessidades pessoais, deveríamos colher tudo no decorrer da semana, reservando parte deste nosso mantimento para o sábado, o qual ensinou interrompendo o envio do maná no dia de sábado para que o povo pudesse aprender didaticamente.

Assim Deus nos ensinou a separar o que necessitarmos nos demais dias da semana para usarmos no sábado.

E assim fazendo, temos um sábado totalmente livre, não para a prática da ociosidade, mas sim do bem, o qual podemos aproveitar para, também, fazer a obra Deus aqui na terra.

Assim não apenas Deus, nem Cristo e nem os sacerdotes, mas os filhos de Deus também trabalham no sábado, porém não em prol de si mesmo, mas de Deus e do próximo, porque o resumo da lei é amar a Deus e ao próximo e o sábado, como um mandamento, não poderia contradizer este princípio fundamental da Lei de Deus.

E assim nos lembramos da palavra de Deus:

"Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, Então te deleitarás no Senhor, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do Senhor o disse." (Isaías 58:13,14)

O sábado deve ser deleitoso, inclusive para os doentes e necessitados, deve ser um dia especial. Assim deixamos de fazer as nossas próprias obras no dia de sábado para nos dedicarmos à prática do bem neste dia especial.

Nos dedicarmos à família, à congregação de irmãos, a dar estudos bíblicos, orar uns pelos outros e louvar a Deus.

O povo de Deus havia entendido antigamente de que o sábado deveria ser um dia de ociosidade, por conta das proibições, porém, de forma fanática, estenderam as recomendações de Deus para coisas simples, como o ato de apanhar uma fruta apropriada para o consumo no dia de sábado.

Isto veio depois da experiência em cativeiro na Babilônia, um castigo sofrido por terem se afastado totalmente dos mandamentos de Deus.

Cristo combateu esta forma fanática de seguir os mandamentos de Deus, que colocavam até mesmo o ato de levar a própria cama como equivalente ao ato levar cargas, os quais tornavam impossíveis a guarda do sábado e sobretudo a prática do bem.

"E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado." (Marcos 2:27)

E em tudo Deus perdoava a transgressão de seu povo, porém havia apenas uma coisa que Deus não admitia:

"Somente uma lei haverá para todo aquele que pecar sem intenção, seja ele israelita nato, seja estrangeiro residente. "Mas todo aquele que pecar com atitude DESAFIADORA, seja natural da terra, seja estrangeiro residente, insulta ao Senhor, e será eliminado do meio do seu povo. Por ter desprezado a palavra do Senhor e quebrado os seus mandamentos, terá que ser eliminado; sua culpa estará sobre ele"." (Números 15:29-31)

O que Deus não perdoava eram atitudes desafiadoras, conscientes e devotadas a desmerecer a Palavra de Deus diante de Sua presença, de forma inarrependida sem o mínimo de temor a Deus. O que seria um extremo mal exemplo entre um povo de dura cerviz, desumanizados no Egito, os quais Deus estava passando por um longo e paciente processo de reeducação.

A este, Deus deu o castigo de morte, a outros, por serem ainda ignorantes, Deus concedia outros castigos, como antes da entrega dos mandamentos escritos, no evento da colheita do maná:

"Durante seis dias vocês podem recolhê-lo, mas, no sétimo dia, o sábado, nada acharão. " Apesar disso, alguns deles saíram no sétimo dia para recolhê-lo, mas não encontraram nada. Então o Senhor disse a Moisés: "Até quando vocês se recusarão a obedecer aos meus mandamentos e às minhas instruções? Vejam que o Senhor lhes deu o sábado; e por isso, no sexto dia, ele lhes dá pão para dois dias. No sétimo dia, fiquem todos onde estiverem; ninguém deve sair". Então o povo descansou no sétimo dia." (Êxodo 16:26-30)

Como uma mãe proíbe o filho desobediente de sequer sair de casa, Deus teve que fazer outras proibições, lembrando daquele evento do homem que desafiou a Deus de forma consciente juntando lenha no sábado:

"Seis dias se trabalhará, mas o sétimo dia vos será santo, o sábado do repouso ao Senhor; todo aquele que nele fizer qualquer trabalho morrerá. Não acendereis fogo em nenhuma das vossas moradas no dia do sábado." (Êxodo 35:2,3)

O juntar lenha para fazer fogo envolvia, deixar a congregação, ir para o deserto e dedicar longo tempo a achar lenha e esforço para acender fogo. Era ir contra todo o princípio de comunhão com Deus e a congregação. Contra o descansar no dia de sábado.

Ninguém naquele tempo era obrigado a adorar a Deus, ou entrar em comunhão com a congregação. Porém, Deus exigia o mínimo de respeito e os que não quisessem guardar o sábado como os demais poderiam ficar em suas próprias tendas, porém, sem acender fogo, nem trabalhar em prol de si, mas apenas descansar.

Não poderiam deixar a congregação, de forma desafiadora e sem motivo justo, ou executar um trabalho laboral, dando mal exemplo aos demais.

E o motivo primordial era a presença de Deus naquela congregação em conflito com o egoísmo que havia dentro de cada pessoa da congregação em relação a Deus. E naquela época o povo se ajudava, levava água ao doente, trazia comida ao que estava acamado. Levava um irmão aleijado até o centro da congregação. Isto tudo era feito de forma natural e Deus jamais proibiu.

Deus estava então ensinando que o motivo das proibições era para que o povo se atentasse de que o sábado era um dia especial de comunhão íntima com Deus.

O propósito do sábado de descanso no Éden foi para que a humanidade tivesse um dia livre para encontro com o Seu Criador. E mais do que isto, servisse de memorial de toda a criação.

E o sábado nos aponta para Cristo, por meio do qual foram criadas todas as coisas:

"Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito." (João 1:3)

Memorial não apenas da criação mas também da libertação de Seu povo, pois Cristo é o mesmo "Eu Sou" que guiou Moisés, na libertação de seu povo.

"Respondeu Jesus: "Eu lhes afirmo que antes de Abraão nascer, Eu Sou! " (João 8:58)

"Disse Deus a Moisés: "Eu Sou o que Sou. É isto que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês"." (Êxodo 3:14)

O qual pôs o sábado também como um lembrete da libertação de seu povo da escravidão do Egito, prenuncio da libertação da humanidade da escravidão do pecado:

"mas o sétimo dia é um sábado para o Senhor, o teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu nem teu filho ou filha, nem o teu servo ou serva, nem o teu boi, teu jumento ou qualquer dos teus animais, nem o estrangeiro que estiver em tua propriedade; para que o teu servo e a tua serva descansem como tu. Lembra-te de que foste escravo no Egito e que o Senhor, o teu Deus, te tirou de lá com mão poderosa e com braço forte. Por isso o Senhor, o teu Deus, te ordenou que guardes o dia de sábado." (Deuteronômio 5:14,15)

Então descobrimos que Cristo é o Senhor do sábado:

"E então lhes disse: "O Filho do homem é Senhor do sábado". (Lucas 6:5)

É o seu dia especial de homenagens:

"Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do Senhor..." (Isaías 58:13)

Um dia idealizado pra lhe servir de adoração:

"E será que desde uma lua nova até à outra, e desde um sábado até ao outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor." (Isaías 66:23)

Por conta de tudo que fez pela humanidade, antes e depois do pecado.

E ninguém melhor que o próprio dono e criador do sábado para nos ensinar, neste mundo duro, como guardar corretamente este dia tão especial:

"Alguns fariseus perguntaram: "Por que vocês estão fazendo o que não é permitido no sábado? "Jesus lhes respondeu: "Vocês nunca leram o que fez Davi, quando ele e seus companheiros estavam com fome? Ele entrou na casa de Deus e, tomando os pães da Presença, comeu o que apenas aos sacerdotes era permitido comer, e os deu também aos seus companheiros". E então lhes disse: "O Filho do homem é Senhor do sábado". Noutro sábado, ele entrou na sinagoga e começou a ensinar; estava ali um homem cuja mão direita era atrofiada." (Lucas 6:2-6)

Jesus ocupou a ociosidade do sábado derivada, não da lei em si, mas da má interpretação da lei, pelo ensino didático de fazer o bem, assim não teríamos dúvidas sobre o que é lícito ou não fazer no sábado e fez a distinção entre trabalhar de forma egoísta em prol de si mesmo, e trabalhar em favor do pobre, doente e necessitado, que é parte da obra de Deus aqui na terra, inclusive no dia de sábado.

E assim estamos em comunhão com Deus, colocando-o acima de nossos interesses pessoais no Seu santo dia e ajudando-o a realizar a Sua obra de redução do sofrimento e das dificuldades de nossos irmãos neste mundo de pecado.

Assim nos tornamos UM em proposito com Deus. E por meio desta comunhão e unidade de propósito, realizamos boas obras, pelo resultado da transformação que a graça opera em nós, por meio de Cristo.

Que Deus te abençoe, irmão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário