sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Ellen White - A natureza da inspiração profética

Olá irmã Maria, na época de Ellen White o saber ainda estava se multiplicando, a consulta a outras fontes era comum naquele tempo, não haviam regras que limitassem tal consulta. Plágio era definido como cópia integral ou parcial. Uso de frases e conceitos sem evidenciar o devido autor não eram levados em consideração.

Temos documentos que mostram que, por debaixo do pano, Ellen White recomendava os livros que consultava a irmãos de sua igreja. Kellog também mencionou o interesse de Ellen White por livros que falavam acerca da questão de saúde.

Ocorre que estas coisas ocorreram à partir do momento em que começou a ter suas visões.

Nos tempos antigos, o conhecimento dos profetas vinham por meio do discipulado, jovens passavam seus dias aos pés de mestres e nas sinagogas liam e aprendiam sobre tudo que necessitavam, onde a Bíblia continha tudo que necessitavam, desde as leis civis, regas de higiene, alimentação, saúde até a conduta moral.

Também tinham vasto conhecimento e também documentos sobre ciências e tecnologias daquele tempo.

Creio piamente de que Ellen White foi orientada a buscar conhecimento. E o meio disponível no contexto de Ellen White eram os livros.

Ellen White lia muito, assim sabemos de onde retirou a sua arte de escrita.

O dom profético, porém, entrava em choque com os conceitos existente na época, os adventistas ainda criam no dom profético como os demais cristãos na época de hoje.

Tinham um conceito de inspiração ditada, não assimilavam que um profeta não trabalhava apenas em um âmbito sobrenatural.

Certo gênio uma vez disse que uma descoberta é resultado de 10% de inspiração e 90% de transpiração.

Enquanto escrevia seus livros, Ellen White teve que entender e aprender sobre o que o meio científico falava acerca de cada assunto naquela época. Assim como Salomão, Ellen White buscou sabedoria e conhecimento.

Muitos imaginam que Salomão passou a ser o homem mais sábio que já existiu por meio apenas do dom sobrenatural que lhe foi dado. Este dom porém, apenas ampliou a capacidade de entendimento e criação de Salomão.

Esta é então a forma científica como o sobrenatural trabalha na mente da pessoa, não colocando informação, mas preparando-a e capacitando-a, o qual chamamos de dom.

Todo o conhecimento vindo diretamente do céu, foi dado à Ellen White por meio de visões. O que não foi lhe dado por meio de visão lhe foi mostrado por meio de inspiração, tando lendo a Bíblia quando lendo livros acerca dos assuntos que acompanhou em suas visões.

Por exemplo, Ellen White afirmou que lhe foi mostrado que o sal tinha uma importância para o sangue e que por isto não deveria ser tirado totalmente da mesa, ao contrário do açúcar que era dispensável.

Hoje entendemos de que as visões de Ellen White ocorriam na maior parte das vezes para confirmar algum estudo ou conclusão alcançada pelos Adventistas em questões doutrinárias. Assim, podemos crer que da mesma forma isto ocorria enquanto lia assuntos acerca da saúde em diversos livros.

Via-se também que Ellen White recebia, por meio de visões, informações que não constavam em lugar algum do que já havia lido. Um exemplo é a visão de que haviam correntes elétricas percorrendo o cérebro humano, a constatação da necessidade do uso da luz do sol em hospitais e se manter os quartos ventilados, muito antes da teoria sobre germes.

Mais tarde a própria Ellen White identificou de que o câncer era causado por um germe, algo que foi descoberto apenas recentemente.

Ellen White também disse, acerca de seus sonhos e visões, de que o objetivo não era comunicar nova luz acerca de questões Bíblicas. De fato, tudo que Ellen White escreveu em questões religiosas foram baseados na Bíblia.

Igualmente creio que, de semelhante forma, Ellen White tratou a ciência contida nos livros, não indo além dos assuntos pertinentes e que povoava o mundo intelectual daquela época.

Deste modo, perfeitamente creio que o mesmo trabalho que fez em questões religiosas, Ellen White também fez no campo científico.

Lembrando de Salomão, percebi que Deus não trabalha apenas no âmbito religioso, embora mova toda a ciência humana para os conselhos e ensinamentos que Ele nos deixa através da história.

Ellen White foi muito mais do que um profeta de visões e sonhos, vejo semelhanças em suas abordagens com o escritor Mateus, Paulo, Judas, Daniel e Moisés.

Não temos escritos dos profetas ditos, não canônicos, aqueles que orientaram seu povo em suas épocas, dando instruções de como viver e proceder em harmonia com os ensinamentos divinos dentro de cada contexto, em cada época.

Assim, arrisco dizer de que provavelmente não produziam grande quantidade de novos ensinamentos, mas utilizavam dos escritos canônicos que já haviam em suas épocas, e que mais tarde se tornariam em uma coletânea ao qual chamamos de as Antigas Escrituras. Mas utilizavam também de toda sorte de conhecimento sócio cultural de suas épocas. Por exemplo, o relato da disputa entre Miguel e Satanás pelo corpo de Moisés e o relato ao tom teatral de Jó.

Salomão também proveu cartas, ensinos e recomendações à várias nações e intelectuais que lhe procuravam, acerca das tecnologias que ajudou a desenvolver em seu tempo.

Na época de tais profetas não existiam as prensas e a vasta divulgação de escritos como se têm hoje, por isto os escritos de tais pessoas não puderam ser encontrados conservados.

Percebo que todo este trabalho se condensou em Ellen White em nosso tempo, tendo recebido tanto o dom profético como a liberdade de interagir com as informações disponíveis em seu contexto cultural.

Um outro ponto é que apenas algumas poucas obras consultadas, as que Ellen White recomendou, realmente apresentavam uma grande constância de corretude em seus ensinos, os quais recomendava à seus irmãos, enquanto que as demais obras não.

Por exemplo, Kellog se admirou de encontrar em Ellen White frases e pensamentos muito semelhantes ao que já havia lido em livros acerca de saúde. Kellog era uma pessoa brilhante, mas mesmo assim, trouxe e aplicou errados conceitos, não sobre saúde, mas sobre espiritualidade na própria Igreja Adventista.

As obras naquela época estavam ainda impregnadas de conteúdos filosóficos e sofriam tendência de vários conceitos contrários à fé religiosa.

E haveria resistência da igreja em acertar como verdades provindas de Deus, conteúdos que existiam em obras seculares, ou até mesmo cristãs, não inspiradas.

A mistura de ciência e religião ainda não era bem vista naquela época, onde o conceito de conflito entre fé e religião já se encontrava desenvolvido.

Mas foi direcionando a visão dos adventistas para a Bíblia que perceberam que a questão de saúde, higiene e alimentação eram importantes e necessários segundo a orientação bíblica.

Crendo que tudo era de fato provindo de inspiração direto do céu e de fato era, embora não da forma como pensavam e acreditavam, puderam aceitar estas verdades por confiar em sua origem.

Assim, creio que Ellen White permitiu que os adventistas amadurecessem em seus conceitos, especialmente acerca do dom profético, antes de permitir levar esta indagação àqueles dias.

Se aproveitou então do fato de não ser necessário a citação de fontes naquela época o que veio bem a calhar.

E, ao final, suas obras foram realmente inspiradas, recebeu sonhos e visões, fez suas pesquisas, se desenvolveu no conhecimento e na sabedoria tanto espiritual quanto das ciências, utilizou-se de todos os recursos que outros escritores bíblicos haviam utilizados, fez como reis como Salomão e governadores como Daniel. Usou, de forma sábia, de tudo que se encontrava em seu alcance. [Uma mulher realmente extraordinária.].

Colocou os adventistas em contato com as ciências humanas e hoje os adventistas, até mesmo sem perceber, seguem seu exemplo, sendo uma igreja profética mas pesquisando, reciclando e utilizando também da sabedoria que se encontra, inclusive, no meio secular. E assim também constroem suas obras, como hospitais, escolas e igrejas, livros e ensinamentos. [O natural unido ao sobrenatural]. Utilizam obras teológicas de outras denominações para desenvolver suas doutrinas.

Ao passo que também contribui para o mundo e as demais igrejas, trazendo verdades vindas do céu, por meio de sonhos, visões, ou muita pesquisa na área científica e teológica, segundo orientação e inspiração da parte de Deus por meio do contato diário e pessoal com Jesus Cristo e a Bíblia.

Este era o sonho de Deus para a igreja no fim dos dias.

"E tu, Daniel, encerra estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e o conhecimento se multiplicará." (Daniel 12:4)

Motivo:

"Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo,
Em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência." (Colossenses 2:2,3)

Não há bons frutos neste mundo que não tenha provindo de Deus:

"Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. " (João 15:5)

Sem Deus e sua atuação em manter a saúde mental do ser humano estaríamos todos nos arrastando e destruindo uns aos outros, totalmente entregues aos prazeres, não dando o devido valor à sabedoria e ao conhecimento.

E ainda que buscássemos a sabedoria e o conhecimento, sem Ele não saberíamos diferenciar o certo do errado, nem identificar o que é correto e o que é incorreto, porque a ciência que o homem desenvolve sem Deus é loucura, como a própria Bíblia relata em suas histórias e como a própria história relata em seus livros.

Assim sabemos que seria impossível Ellen White conduzir seus trabalho com resultados corretos em um universo de coisas erradas, inclusive em questões religiosas, sem uma inspiração Divina.

Corpo, mente e espritualidade, condensados em obras, para trazer um novo estilo de vida àqueles que seriam, então, chamados por Deus para uma missão muito especial.

Moisés teve também suas fontes de conselhos e orientações, seu sogro por exemplo. Este, dentre outros profetas, também tiveram seus assistentes. Moisés assim como José e Daniel, também foi educado no conhecimento segundo o que havia em seu meio secular.

O doutor Lucas e o escritor do livro de Judas, fizeram pesquisas e colocaram em livros canônicos conteúdos de escritos não canônicos (a exemplo da carta contendo o relato de Nabucodonosor e que foi "canonizado" por Daniel segundo o conteúdo que incluiu em seu livro) e até apócrifos do mundo secular (a exemplo do relato da batalha entre Miguel e Satanás). Até ocasião de histórias populares de origem na cultura pagã.

Empréstimos foram feitos pelos profetas e demais escritores bíblicos, de todas as formas possíveis e a Bíblia também inclui estes empréstimos.

Nem todas as canções foram compostas por Davi, mas se encontram em seus livros. Nem todos os salmos foram escritos por salomão, mas encontram-se em seus livros.

Isto em nada revoga a qualidade da inspiração de tais profetas e escritores, pelo contrário evidenciam.

Assim, nossa visão dá um giro de 180 graus, na questão da natureza do dom profético e como ele trabalha e interage com as coisas deste mundo. Também reciclando verdades, porque há muitas verdades nas ciências tanto antigas quanto da atualidade.

Deste modo, profeta não é aquele que recebe apenas sonhos e visões do céu, ele é ativo e atuante segundo o conhecimento que há em todo o mundo e usa deste conhecimento para exprimir a vontade de Deus e Seus corretos conceitos e ensinamentos aos que igualmente estão sujeitos à sabedoria que há em todo o mundo.

Assim um profeta interage com tudo que há neste mundo, sendo orientado por inspiração no que dizer e no que escrever. E sobre o céu, passado, o presente em locais distantes e o futuro, ele recebe visões, a fim de escrever sobre aquilo que não pode ser alcançado pelos seus olhos e demais sentidos.

Assim, sonhos e visões são apenas uma parte na vida atuante dos profetas.

Muitas vezes nos perguntamos o porque de profetas, aparentemente, não botar todas as cartas na mesa e não dizer ao seu povo tudo que está nos bastidores, como por exemplo Israel que teve que caminhar por 40 anos no deserto. Mas devemos entender que o profeta está debaixo da orientação de Deus que derrama o conhecimento progressivamente.

Moisés mesmo, só soube que iria morrer e não iria entrar na terra prometida pouco antes do dia de sua morte. Também não lhe foi explicado o significado daquela pedra que ele espancou (e que representava a Cristo, a pedra fundamental, de onde emana água onde quem bebe nunca mais voltará a ter sede) motivo pelo qual pôde apenas ver a terra que havia perdido.

Assim a natureza do dom profético é bem ampla e a relação de um profeta com Deus e o lidar com as informações que são transmitidas e a forma como deve ser passada é bem complexa. Por isto, somente por meio da atuação do Espirito Santo é que um profeta consegue dar cabo com sucesso de repassar as informações ditas por Deus. Neste trabalho o Espírito Santo é intérprete e orientador, e faz um trabalho semelhante ao de um orientador ao orientando que precisa, desde o elaborar de uma simples monografia até o embasamento de uma complexa tese de doutorado.

Além de passar as instruções, um profeta têm também que esperar o tempo certo, que é dito também pelo Espírito Santo, como as cartas que Ellen White escrevia, bem como suas orientações, artigos e pregações e que sempre chegavam no momento certo.

Por isto costumo dizer que o Espírito Santo é o maestro no plano da salvação.

Este é o mundo dos profetas e que realmente não entendemos.

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