quarta-feira, 16 de março de 2016

Resposta - Avaliação Teológica do “Neo-Trinitarianismo” Adventista



A Confissão de Fé de Wetminster:

"Ele é um espírito puríssimo, invisível, sem corpo, membros ou paixões"

Se o irmão interpreta espírito como sendo algo intangível, etéreo e que Deus não pode ser visto nem mesmo pelas criaturas que o cercam e coloca isto como ponto essencial ortodoxo, devo dizer ao irmão que a confissão de Fé de Wetminster é uma autoridade calvinista e não representa a opinião da maioria ortodoxa.

A IASD não segue este catecismo, bem como a maior parte das igrejas. E não se trata de um resumo da fé de todos os reformados (luteranos, calvinistas, wesleyanos, etc) mas tão somente da calvinista.

O que posso dizer ao irmão?

Que esta visão de que Deus é intangível, sem corpo nem partes, não é de procedência bíblica.

O erro já começa chamando a fé calvinista de fé Reformada!

Não! A fé reformada é aquela que representa a fé dos vários ramos de reformadores!

E a reforma maior é a de Lutero.

Agora se o irmão está tentando forçar a introdução desta visão na ortodoxia, é um direito seu.

Só não pode ficar indignado pelo fato de a IASD no seu processo de de solidificação da Trindade em seu meio, rejeitar esta parte que é crença de alguns.

Repito novamente ao irmão. O restante das igrejas, não estão muito interessadas em especular se Deus tem, como diz o irmão Alexandre, cabeça e pescoço.

Se a substância de Deus é etérea ou palpável.

O que as igrejas mais se preocupam é em dizer que Deus é UMA unidade de três pessoa coeternas de igual natureza, essência e propósito. Oniscientes, onipresentes e onipotentes.

Então a visão ortodoxa não é a sua visão, mas a nossa visão, daqueles que não se preocupam em medir a altura da canela de Deus, ou discutir se Deus tem ou não canela e se esta canela é palpável ou não, ou ainda, visível ou invisível.

Então, com todo respeito ao irmão bem como o Reverendo Metodistas, os amigos estão apenas a tentar defender uma particularidade das crenças comuns do irmão.

Em minhas pesquisas encontrei esta questão de Deus ter corpos ou partes apenas em uma crença metodista, o que corrobora com a Confissão de Fé de Wetminster.

Porém tal confissão de fé não representa a norma de crença das demais igrejas não calvinistas, e a visão particular do amigo Reverendo, a respeito deste assunto, continua sendo também particular.

Portanto se os irmãos argumentam de que a Trindade adventista não é ortodoxa por conta da ausência destas definições (como tanto chorou o irmão Paulo Cadi), igualmente está argumentando que as demais religiões que não comungam desta particularidade não tenham também uma Trindade ortodoxa.

A Bíblia diz que Deus é espírito, mas não diz como é a NATUREZA deste espírito.

Existe uma linha com ideias gregas que acredita que Deus seja da mesma substância do espírito humano (segundo a compreensão grega de que o homem possui uma alma etérea).

A Bíblia não diz que o homem tem uma alma etérea e muito menos se esta alma intangível e invisível tem corpo ou partes.

Por isto gostaria de saber se o irmão interpreta esta declaração de Wetminster como Deus tendo esta natureza.

E gostaria também se o amigo Reverendo, comunga igualmente desta visão.

Então direi abertamente se esta visão da Trindade dos amigos é igual à Adventista!

Quando a esta crença dos amigos representar a opinião ortodoxa, daí já é muita pretensão dos amigos.

Deveriam estudar um pouco mais sobre ortodoxia em fontes extra calvinistas e metodistas. E verão que metodismo e calvinismos devem estar contidos dentro da ortodoxia e não a ortodoxia contida dentro de definições calvinistas ou metodistas.

Ademais adventistas tem sua base reformada na de Lutero e o irmão conhece bem a opinião deste reformador acerca destas questões, um pequeno exemplo:

“Contudo, permito ao Papa estabelecer artigos para ele mesmo e seus fiéis seguidores, tais como: Que o pão e o vinho são substanciados no sacramento, que a essência de Deus gera não é gerada, que a alma é a forma substancial do corpo humano, que ele (o papa) é o imperador do mundo e rei do céu e um deus terreno, que a alma é imortal, e todas essas monstruosidades sem fim...( Afirmação de todos os artigos de M. Lutero condenados pela última Bula de Leão X), artigo 27, Weimar edição das Obras de Lutero, vol. 7, pp 131, 132, com ênfases)

Ou seja, irmão Luciano, o irmão está fazendo de conta que esta visão particular é crença ortodoxa.

O irmão então, na verdade, está dizendo que a Trindade Adventista é diferente da Trindade Reformada (calvinista)!

Então não é a Trindade Adventista sendo diferente da Trindade ortodoxa, porque a ortodoxia não provém da fé calvinista.

E creio que o termo fé calvinista deveria continuar sendo chamada assim ao invés de "fé reformada". Porque a fé calvinista não representa a fé geral reformada (que inclui Martinho Lutero e os demais).

É questão, portanto, do calvinista (Luciano Sena) baixar um pouco a crista, baixar um pouco a bola e procurar ser honesto e sincero com sua proposta. Deixando de usar falácia e dizer claramente o que incomoda:


A concepção base Adventista bem como de outras igrejas que não tem origem na fé calvinista (vulgo reformada), não contêm um detalhe sobre a substância de Deus em suas doutrinas trinitarianas!

A Trindade ortodoxa (falando em termos daquilo que todos creem) trata de Natureza, Essência e Propósito. Sem no entanto se aventurar em descrever como é esta Natureza, porque não faz parte da Bíblia e as igreja consideram que é algo que não possamos compreender com nossa mente falha, limitada e pecadora.

E esta questão de definir inclusive a SUBSTÂNCIA de Deus e dizer que toda doutrina sobre a Trindade tem que definir se Deus tem corpos ou partes, se é tangível ou intangível, é coisa de orientados ao calvinismo (como o de Luciano Sena) e que não tem mais o que fazer. E que na arrogância pretende colocar uma crença particular como regra geral ortodoxa, que é a proposta de muitos calvinistas, percebível até pela troca da definição de "fé calvinista" para "fé reformada".

Agora, será que a história da IASD em seu desenvolvimento afeta esta compreensão calvinista e de alguns metodistas acerca da trindade?

Sim! Sendo este justamente o motivo do incômodo do amigo!

Diriam alguns:

- Veja, no desenvolvimento da Trindade, os adventistas atacaram de maneira forte muitas bases que se parecem com aquilo que nossa confissão de fé define sobre a Natureza de Deus.

E agora o irmão tenta impor que tal crença particular é a ortodoxa.

Isto é o que incomoda o amigo na questão do desenvolvimento da Trindade pelos adventistas.

Agora o irmão falha em todo o seu propósito por um simples fato naturalmente perceptível:

Dizer que estas particularidades incluídas na fé do irmão, acerca da trindade, é a ortodoxa é uma falácia. Todo teólogo e estudioso que estuda a trindade em cada uma de suas religiões, percebem que estas particularidades não estão incluídas em suas crenças e seus estudos.

A definição que mais "pega" em questão da trindade adventista é discordar que Deus seja intangível, acreditando em um Deus tangível.


Trazendo a verdade à tona e a razão de toda discussão:

Razões para a rejeição. Os pioneiros apresentavam basicamente duas razões para rejeitar essa doutrina. A primeira é o fato de que muitos credos protestantes definem a Trindade como uma essência “sem corpo ou partes”. Em outras palavras, Deus não era entendido como um ser pessoal, mas abstrato e fantasmagórico. Essa compreensão sobre a Trindade “espiritualiza a existência do Pai e do Filho como duas pessoas distintas, literais e tangíveis”.2 Os pioneiros argumentavam que esse conceito contradiz a Bíblia, pois ela apresenta Deus como um ser pessoal “tangível”, que “possui corpo e partes”.3

Estes "muitos credos protestantes" é justamente este que o irmão crê e tem tentado impor como ortodoxo, um Deus sem corpo nem partes.

Podemos então dizer que os adventistista iniciais eram anti-trinitarianos principalmente por rejeitarem esta particularidade (presente na fé de muitos calvinistas que segue a confissão de Wetminster e alguns metodistas). Mas tendo derrubado esta definição, a igreja então aceitou, depois de algum tempo, a doutrina da trindade de forma unânime.

Assim sendo a investida do amigo trata-se apenas de uma tentativa, ao meu ver desesperada, de tentar combater uma opinião contrária.

Agora, como muitas igrejas consideram perigoso entrar no campo da especulação de coisas que não estão reveladas na Bíblia no que tange a tratar ou até definir a natureza de Deus, esta atitude dos adventistas em nada compromete a sua fé na Trindade. Pelo contrário, demonstra que os adventistas, sendo fiéis e inteiramente subordinados à Bíblia rejeitaram, assim como muitas igrejas, definições acerca da natureza de Deus e que jamais fizeram parte da Revelação.

Agora, Ellen White, juntamente com eruditos adventistas, irão, através da história "combater" (entre aspas) internamente esta pretensão de se tentar definir a natureza de Deus.

E se demais igrejas seguissem este exemplo?

Aconteceria o que aconteceu no adventismo e como acontece em muitas igrejas e qualquer tentativa de se tentar definir a natureza de Deus, fora das escrituras, seria prontamente rejeitada.

Então vemos a razão da rejeição da trindade por parte dos pioneiros adventistas, porque havia na comunidade ortodoxa, aqueles que pregavam um Deus sem corpo nem partes e aqueles adventistas que tiveram contato com a trindade nestes moldes, prontamente a rejeitaram, por tal particularidade não ser Bíblica.

Quando, porém, a trindade foi plenamente esclarecida entre os adventistas, não tiveram dificuldades de aceitá-la de forma unânime.

Então este detalhe particular na fé dos irmãos (Luciano e Reverendo) apenas atrapalharam o reconhecimento pleno da trindade entre os adventistas.

E os irmãos agora querem impor isto novamente aos adventistas sob ar de ser "ortodoxo".

É algo do qual convém nos poupar, porque até para as maiores das pretensões, existe um limite.

Os irmãos é que precisam cuidar deste detalhes particular de suas crenças e parar de tentar definir a natureza de Deus e as suas medidas, porque isto não é algo que foi revelado nas escrituras.

E se os irmãos querem realmente levar os adventistas bem como toda a comunidade ortodoxa a aceitar isto, deveriam, construir um livro explicando suas razões para tal e não um livro atacando a fé adventista.

Os irmãos não colocam aqui os versos bíblicos que dão base para supor que Deus seja sem corpo nem partes. Isto porque, como muitos outros ensinamentos, são coisas derivadas da compreensão grega acerca da imortalidade da alma, sendo uma forma de ajustar a natureza do próprio Deus à esta crença, algo que a Igreja Adventista jamais haverá de apoiar.

* Atualizado e corrigido na data desta postagem

8 comentários:

  1. Sim irmão Sr.Adventista, eis aí um dos motivos da tendenciosidade do Luciano Sena.

    E o Paulo Cadi tem demonstrado cada vez mais não conhecer a doutrina da trindade apresentada pela Bíblia,mas sim uma doutrina nos moldes de uma filosofia irracional como bem disse o nosso irmão Wesley.


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    1. Sim irmão Gênes, pessoas como Luciano Sena e Paulo Cadi, bem como outros que tenho pesquisado, tem trabalhado com uma estranha forma de ensinamento baseada no populismo.

      Estive, por exemplo anaisando um vídeo acerca do sábado contido no seguinte link:

      http://guerrapelaverdade.com/site/video/mudanca-e-perpetuidade-no-sabbath-parte-01/

      A Bíblia tem sido deixada sumariamente de lado, e os "apologistas" aqui no Brasil estão realmente, como o irmão mencionou, apresentando uma doutrina nos moldes de filosofias irracionais.

      A parte mais estarrecedora encontrei aos 5:00 no qual me propus a indagar ao criador do vídeo:

      "Onde está dizendo no verso que o sábado era uma "sombra do descanso eterno que Cristo iria introduzir"?

      Isto não está no verso, é invenção e não podemos colocar nossa palavras nas Escrituras." (Sr. Adventista)

      Enviei outros questionamentos bem como um link para uma atual interpretação adventista acerca do assunto:


      "A razão pelo qual não se reúnem no sétimo dia da semana, é porque se reúnem no primeiro dia da semana. Não tem nada a ver com a exortação de Paulo. O citado trecho de Paulo não está dizendo para abolir o 4º mandamento ou a Lei de Deus.

      Este erro ocorre porque, como podemos verificar no vídeo é feita uma análise ESTRITAMENTE sobre o verso e bem sabemos que não podemos fazer doutrina em cima de versos isolados." (Sr. Adventista)

      Já não se toma mais o cuidado de ler o verso tratado e não se dedica mais a, ao menos, tentar explicar o contexto de cada afirmação.

      Afirmações populares no meio pentecostal dispensacionalista, com direito ao uso do ensinamento que nenhum calvinista pratica (pelo menos não praticava até agora) de tratar o sábado do sétimo dia como um manamento de cunho cerimonial.

      E analisando os artigos mais recentes de Luciano e comparando com artigos mais antigos, percebo que também este nosso irmão se mostra incluso nesta modalidade.

      Um artigo que me chamou bastante a atenção, nos primórdios em que comecei a ler seu blog foi um artigo de crítica a Leandro Quadros por conta de uma matéria dele sobre o "cair no espírito".

      De fato o calvinismo tem sacrificado bastante a clássica forma de atuação, sendo mais condescendente com as correntes evangélicas pentecostais, que tem demonstrado certa aceitação, sem no entanto abandonar ponto fundamentais que atentam diretamente contra o calvinismo.

      Percebo uma forma de calvinismo mais popular e bem mais amigável com o pentecostalismo ao custo de sacrificar a ferrenha defesa da validade e irrevogabilidade das leis de Deus.

      Nunca havia visto um calvinista adotar esta posição de que o sábado seria um mandamento cerimonial e que é totalmente contrária à visão presbiteriana, sobretudo acerca de seus materiais teológicos.

      Tenho visto católicos carismáticos "pentecostais" aderir à esta ideia, mas um calvinista?!

      A visão católica acerca da páscoa semanal, da recriação, era comum de se ver, mas não esta aberração de colocar o sábado como um mandamento cerimonial, no que perguntei ao mesmo criador do vídeo se ele considerava a lei de Deus como contendo 9 mandamentos morais +1 cerimonial.

      E não obtive resposta, como de praxe, o autor do vídeo não apenas trancou os comentários de seu vídeo no youtube como recusou as perguntas e comentários que estavam na moderação.

      Todos estes acontecimentos me lembrou muito aquele debate de Leandro Quadros com o professor Carlos que não chegou sequer a utilizar a Bíblia.

      E este exemplo tem crescido e o que noto é um conjunto muito grande de "apologistas" adotando este conceito de ensino, de "soltar" digamos assim, aquilo que ouviram ou aprenderam, sem, porém, ao menos tentar criar um vínculo com a Bíblia, quer por uma análise contextual ou qualquer esforço em embasar aquilo que é dito.

      É como colocar a mão sobre a Bília fechada, citar um verso de cabeça e então dar a interpretação que se deseja ao citado verso.

      Veja em que ponto a apologia no Brasil está chegando, irmão Gênes.

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    2. * Os comentários ainda estão em moderação, esperemos que o autor do vídeo os leia e atente às observações.

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  2. Sim irmão Sr.Adventista, os apologistas estão estagnados a meros contos populares, contos que não passam e jamais passarão pelo crível da boa teologia.

    Gostaria de entrar em contato com o irmão por email, pois tenho algo a apresentar para o irmão, claro se formar possível.

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    1. Sinta-se á vontade irmão Gênes:

      sr.adventista@gmail.com

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  4. Irmão Sr.Adventista já lhe enviei o email.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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