Ao carregar a cruz e pedir insistentemente, com lágrimas nos
olhos, perdão para a humanidade que lhe estava afligindo tanta dor, Jesus
entoou o mais belo cântico de salvação desde a fundação do mundo. Mais do que isto Jesus
estava (mais ou menos) dizendo:
- Vê, eles não me amam, mas mesmo assim eu os amo, perdoa-os
ò pai! Eles não me amam, mas amarão a ti através de mim.
Amor foram as únicas palavras que saíam da boca de Jesus ao
receber duros golpes em sua carne. Não houve um gemido (de protesto), não houve um protesto,
como ovelha muda não reclamou.
Do momento em
que Jesus foi procurado pelos soldados que buscavam
prendê-lo, o beijo na face provindo do traidor iniciou o entoar da melodia. O
Espírito Santo já se aprontava como testemunha do martírio por que passaria o
Salvador.
Assim como Jesus preparou suas malas para descer, no momento
em que sua pré-ciência demonstrou a perdição do homem. O Espírito Santo também,
já se adiantou, para descer e consolar aqueles que sofreriam pela perda do
Cristo. Sobre o lugar onde haveria de ser colocada a cruz do calvário, o
Espírito olhava atônito toda a perplexidade da cena, onde ao longe, Cristo
vinha carregando sua cruz.
Deus assistia a tudo, sofrendo ainda mais que seu filho,
cada passo e cada angústia e cada súplica que saía do Salvador. O espetáculo de
horror se tornou em beleza, o Regente estava acompanhando cada passo do
Salvador e um esplendor sem igual provinha do Cristo que na cena mais terrível
já presenciada pela humanidade, se mostrou a mais perfeita flor imaculada, o
coração humano mais puro e a expressão de amor mais sublime. Capaz de derrubar
do trono, todo e qualquer falso deus que o homem pudesse um dia ter inventado.
Porque nenhum deles se sacrificou pela humanidade.
E o Espírito Santo não deixou desafinar sequer um nota. E o
coração de Jesus, então batia no mesmo ritmo do coração do Pai, e assim também
batia o coração do Espírito. Jesus então sentiu a graça que Davi havia sentido
em seu desalento. Ele, porém, estava puro e intocado, embora sua carne
estivesse esfacelada.
E a música soou em tom de condenação ao tentador, o sagaz, o
ludibriador, o terrível inimigo, que por trás da voz da multidão exigia o
sacrifício do Filho de Deus. Ele tentou matar o próprio Deus que o criara.
A música então parou, todo céu se voltou para o Cristo,
agora crucificado. Nem uma única abelha (anjo) se atreveu a tocar suas asas.
Aquele era o momento sublime, o mais esperado, o fundamento que definiria a
salvação ou a perdição de toda humanidade.
E o Cristo não vacilou, e confiou, mesmo temendo a morte se
entregou totalmente ao Pai, confiando à ele SUA vida e o resultado de SUA
missão.
A natureza chorou, e a terra sacudiu tentando tirar de suas
costas os homens que bradavam a morte de Jesus. E um soldado caiu, atônito, ao
ver o sangue de Jesus cair sobre duas vertes, mataram o Filho de Deus.
E o céu se enfureceu, e todos olharam para Satanás, que em
gritos psicóticos se deliciava com a morte de Jesus. Os anjos aprontaram suas
espadas e enrijeceram seus escudos, dispostos a descer imediatamente como relâmpagos
e vingar a morte do Salvador.
Mas o Pai, com o ar de um Deus que havia perdido seu Filho,
repete as palavras do Cristo: Está consumado!
Os anjos perderam as forças, as espadas o seu brilho, os
escudos, o seu vigor e os anjos se compadeceram do salvador. Estava agora
evidente o erro de se permitir o pecado. A partir de então a história do
universo, voltou a ter seu verdadeiro caráter retomado: JUSTIÇA!
E esta Justiça é Jesus, através dele foi feita toda a
justiça contra o pecado e contra todo tipo de mau. Aquele que pagou o terrível
preço do pecado, mesmo sem merecer, poderia agora cobrar da própria injustiça,
o satanás, por sua injustiça. Nada então poderia segurar a mão do Salvador.
Mas como Este poderia cobrar justiça se não voltasse a viver?
Eis que Satanás já se colocava triunfante, bastava então
esperar o terceiro dia, porque em sua mente acreditava que Jesus jamais poderia
passar por aquilo sem ter fraquejado. Satanás sabia que se o sacrifício de
Jesus não fosse totalmente puro, santo e imaculado, Deus não aceitaria. Jesus
morreu (pensou ele), não há remédio para a morte, eu venci.
Mas ao terceiro dia, todos os demônios caíram de joelhos.
Soou o badalar da condenação. O Espírito Santo olha para os adversários que ELE
em pouco tempo enfrentaria no lugar de Jesus, em um batalha já ganha pelo
Salvador.
A pedra foi removida, os demônios procuraram por um corpo
sem vida mas não encontraram. Alguém que estava morto saiu de sua própria tumba
e Satanás já o sabia, no fundo já esperava. Pois não poderia jamais vencer o
filho de Deus.
E a música que era triste se tornou alegre, o nosso regente,
o Espírito de Deus estava se preparando para tomar seu lugar de consolador. O
Salvador deveria partir para preparar as nossas moradas. Sim ele subiu aos céus
e confirmou: Satanás está derrotado! Enfim a humanidade pode ser resgatada, o
preço foi pago e aceito. A escritura foi feita, o acordo foi selado. O Espírito
Santo foi dado como garantia, penhor até que Jesus volte para nos buscar.
Eis que este Espírito de Deus está ao lado de todo o
cristão, pronto a consolá-lo, deixou o lado do Pai, para estar com os que foram
feitos filhos de Deus, portanto não o rejeite, porque se rejeitar o penhor
estará rejeitando o acordo, estará riscando sua própria parte na escritura. Ele
veio para nos ajudar a ser verdadeiros cristãos, assim como Jesus, guardador de
todas as leis de Deus e do verdadeiro caráter de um filho de Deus, coisas estas
que impedem a entrada do pecado no mundo, ou no mínimo, em nossas vidas.
(Sr. Adventista)






