Olá. Obrigado por assistir e perguntar.
Você disse: 1) A questão do amarrar está sendo questionado; Rodrigo Silva disse "A questão do amarrar está sendo questionado" e não que "a idéia de que os crucificados eram amarrados estava mudando";
Eu reconheço que ele não falou que estava mudando, mas sim sendo questionado. Foi um ato falho meu. Mas isso não muda o meu argumento. Pois para ser questionado, ele tem que dizer porque está sendo questionado! E a evidência que ele apresenta para o questionamento é muito fraca e já havia sido refutada.
Você disse: 5) os ossos das mãos do achado estavam fragmentados demais para se comprovar se foram ou não fixado com cravos;
O legista/arqueólogo que analisaram o ÚNICO caso de prego encontrado, foram os mesmos que afirmaram em seu documento que Yohanan Ben Hagkol teria sido amarrado. Se você olhar o link, eles claramente descartam a hipótese dele ter tido as mãos pregadas. Que era o questionamento feito por Nico Haas e que foi refutado por Zias e Sekelis.
http://cdn.biblicalarchaeology.org/wp-content/uploads/BSBA110602100.jpg?6da03c
E eles dizem isso, especificamente pela análise dos ossos do metacarpo e do antebraço:
"Thus, the lack of traumatic injury to the forearm and metacarpals of the hand seems to suggest that the arms of the condemned were tied rather than nailed to the cross"
Traduzindo: "Assim, a falta de ferimentos traumáticos no antebraço e metacarpo da mão sugerem que os braços do condenado foram amarrados e não pregados à cruz."
Como você analista os ossos da mão ou do antebraço se eles estavam "muito fragmentados" eu não sei. Eu concluo que eles não estavam tão ruins, que não se pudesse fazer a tal análise. O que contraria frontalmente o que afirmou Rodrigo.
Você disse: 2) Não temos nenhum relato romano de que amarravam os crucificados;
Na verdade, aos 7:57 eu destaco (mas não falo) a parte do documento onde eles afirmam que "Existe AMPLA quantidades de evidências artísticas e literárias, para o uso de cordas ao invés de pregos". Pode ser que não sejam romanos, mas existem relatos.
Você pode olhar, por você mesmo aqui.
http://www.biblicalarchaeology.org/daily/biblical-topics/crucifixion/roman-crucifixion-methods-reveal-the-history-of-crucifixion/
E você pode ver evidências de que os crucificados eram amarrados nesse medalhão de um cristão do século II (que não era um romano), onde Jesus é mostrado amarrado.
http://i.imgur.com/KGQYa57.jpg
O cara não era uma testemunha ocular de que Jesus teria sido amarrado, mas o fato dele ter desenhado um Jesus amarrado e não pregado é uma evidência artística, de que pelo menos isso deveria ocorrer. Temos que entender que os desenhos da época não eram os melhores, e é muito difícil às vezes interpretar se são pegos ou cordas. Eu não sei se existem relatos romanos especificamente.
atravé do próprio vídeo a possibilidade de que usassem cravos nas mãos além das cordas
E veja bem, eu não afirmo que Jesus não poderia ter sido pregado. Eu afirmo que é possível que ele talvez tenha sido pregado, mas possivelmente apenas como crueldade. Porque, usar apenas pregos era uma coisa difícil e cara, e eu afirmo portanto que é IMPROVÁVEL, mas não impossível.
Você disse: 3) Que as reconstruções renascentistas é que falavam isto;
Eu não argumento que as reconstituições renascentistas não falavam isso, pois na renascença eles já haviam desconfiado que Jesus não poderia ter sido só pregado pleas mãos. Por isso, o Sudário mostra Jesus crucificado pelos pulsos. Mas eu honestamente não achei nenhuma reconstituição medieval ou renascentista. Pode ser que exista, eu acho que li algo. Mas eu desconheço. O meu ponto, é que a reconstituição que fala que os crucificados eram provavelmente amarrados e que esse era o método comum de crucificação é JUSTAMENTE o caso de Yohanan Ben Hagkol que ele usa como exemplo. E que ele não deveria ter usado justamente esse, como o caso para argumentar contra o uso de cordas. E essa é uma reconstituição MODERNA diferente do que afirma Rodrigo. Se ele queria afirmar que se estava questionando isso, ele não deveria usar o caso de Yohanan Ben Hagkol, porque ele foi amarrado nas mãos, e só foi pregado no calcanhar. Esse foi o único caso, entre milhares de crucificações onde foram encontrados os restos, e nesse caso o prego era pequeno demais para penetrar a tábua (arruela) o pé e ainda fixar na madeira.
No final, eu ainda dou o benefício da dúvida ao pastor, quando eu afirmo que ele talvez tenha se equivocado. E dar uma entrevista como essa pode ser muito estressante. Pode ser que ele não sabia de algo, na época, eu posso mesmo ter interpretado ele erroneamente, etc. Mas ele continua fazendo isso depois. Então eu acho, que ele foi intencional. Um estudioso deveria ser mais cuidadoso. Mas não tenho como saber o que se passava na cabeça dele. Veja os meus próximos vídeos e decida por você mesmo.
Abraços.
TRÉPLICA
Olá, irmão, então concluo que o prof. Rodrigo Silva não cometeu nenhuma incorretude em suas justificativas. Poderia estar errado em sua opinião acerca do amarrar ou não, mas não nas justificativas que usou.
Aos 8:00 ouvimos "Portanto o rodrigo não deveria ter usado justamente este caso como evidência de que as mãos dos crucificados eram pregadas e que isto estaria mudando."
Mas não é isto que se vê no vídeo! No vídeo, o Prof. Rodrigo cita o caso da crucifixão no pé, no que o Jô pergunta: "Este negócio de cravo na mão não tem?!" no que o prof. Rodrigo diz: "não, não, não, porque o osso estava muito fragmentado".
A questão do amarrar os braços, por sua vez, está bem longe desta parte, aos 0:50, onde também o Jô levanta acerca da questão de amarrarem os braços onde, ali sim, o prof. Rodrigo Silva de que "a questão do amarrar hoje está sendo questionada".
Assim, não vi o Prof. Rodrigo Silva usando "este caso como evidência de que as mãos dos crucificados eram pregadas" pelo contrário, o que vemos no vídeo é ele afirmando que neste caso "não, não, não, porque o osso estava muito fragmentado" o que sugere de que não era possível chegar a tal constatação por meio deste caso.
Assim, não vejo nada que desabone a idoneidade do Prof. Rodrigo Silva nesta entrevista com o Jô.
Quanto aos esclarecimentos do irmão, as informações foram bem úteis, gostei bastante, os argumentos do irmão também são razoáveis e aprendi bastante.
Um abraço.
SALDO
Saldo positivo, cresci bastante em conhecimento, dialogando com uma pessoa bastante educada e solicita.


